Jogadores acusados de ajudar a manipular resultados começam a ser julgados

Está marcado para as 9.30 desta quinta-feira o início do julgamento do processo "Jogo Duplo", em que jogadores, dirigentes desportivos e empresários estão acusados de corrupção ativa e passiva
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Movimentos de apostas online fora do que era estatisticamente razoável para jogos da II Liga portuguesa motivaram um alerta internacional por parte de uma entidade que acompanha o que se passa nos sites de apostas e levaram à investigação da Polícia Judiciária ao que se estaria a passar nos relvados do segundo principal campeonato nacional de futebol.

Uma ação que terminou com a detenção de 27 pessoas - jogadores, empresários, dirigentes e treinadores, estando três em prisão domiciliária - e que ficou para a história como o processo "Jogo Duplo", o primeiro em Portugal envolvendo jogadores suspeitos de manipulação de resultados. Operação da PJ que ainda detetou a presença em Portugal de quatro cidadãos naturais da Malásia e que fariam parte de uma alegada rede que pagava a atletas para estes viciarem os resultados das suas equipas de acordo com as apostas feitas em sites internacionais.

Nesta investigação estão em causa, segundo o despacho de pronúncia a que o DN teve acesso, crimes de associação criminosa em competição desportiva (punida com 1 a 5 anos de prisão agravada em um terço por envolver agentes desportivos), corrupção ativa e passiva em competição desportiva (1 a 5 anos de prisão no primeiro caso e 1 a 8 no segundo, podendo ser agravadas por envolver agentes desportivos) e apostas desportivas à cota de base territorial (mais conhecida como as apostas no Placard) fraudulentas. Sendo que nenhum dos malaios - onde surgem referências a um quinto elemento que não se conhece o nome, apenas a alcunha "Steve" - que viajaram para Portugal por diversas vezes entre agosto de 2015 e maio de 2016, a época desportiva em que surgiram as suspeitas que levaram à acusação envolvendo futebolistas do Oriental e da Oliveirense, além de treinadores, empresários e responsáveis do Leixões, foi acusado de práticas ilícitas. Nesse grupo está sim Abel Silva, o antigo jogador que foi campeão do Mundo de sub-20, em 1989.

Os inspetores da PJ detetaram, segundo a acusação, mensagens de texto nas redes Whatspp e Telegram entre alguns dos elementos envolvidos na suposta rede onde eram combinados resultados e pagamentos. Por exemplo, refere-se que foi oferecido a um jogador seis mil euros caso provocasse uma grande penalidade. Ou que o valor mínimo pago a cada um dos jogadores aliciados rondaria os cinco mil euros.

Outra das situações com que alguns dos atletas foram confrontados na altura em que foram detidos - a operação da PJ aconteceu em duas fases, a 14 de maio de 2016 com a detenção de 15 pessoas; e em março de 2017, onde foram detidos mais cinco indivíduos - passou pelo facto de os futebolistas envolvidos no alegado esquema de manipulação de resultados apostarem no jogo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Placard. O que lhes está proibido pelo regulamento do jogo. Como sabiam o que estava combinado para determinado desafio - fosse o resultado ou os golos marcados - apostavam nesse resultado e ganhavam.

Refira-se que a PJ, segundo o documento a que o DN teve acesso, analisou 11 jogos da II Liga, tendo detetado também que houve atletas que não aceitaram dinheiro para manipular um jogo.

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