João Costa "Cultura de retenção no secundário atinge níveis preocupantes"

Secretário de Estado aponta o secundário como o período crítico em termos de insucesso, mas identifica os planos nacionais e o trabalho específico com as escolas com piores resultados como as estratégias a manter.

No secundário, só 86 escolas, entre mais de 500, têm 50% ou mais de percursos diretos de sucesso. Como se explica este dado?

Estes dados refletem um problema conhecido e que justifica todo o investimento na promoção do sucesso escolar. Há uma cultura de retenção que atinge níveis muito preocupantes no ensino secundário. Este dado é compatível com o conhecimento que temos de que há 35% de alunos que não concluem o ensino secundário no tempo esperado.

Na lista há uma escola com 2% de percursos de sucesso. Várias não chegam aos 10% ou 20%. Justifica-se que com estes resultados - e há privadas no grupo - se mantenham a funcionar?

Mais do que tomar decisões administrativas, importa construir um trabalho de proximidade com estas escolas e entender as razões por trás destes números. Este foi o exercício que convidamos as escolas a fazer na definição dos seus planos de ação estratégica. A unidade de missão que coordena o Plano Nacional de Promoção de Sucesso Escolar está a trabalhar em conjunto com as escolas com piores resultados para as apoiar na sua autoavaliação e na avaliação da eficácia das suas medidas e em conjunto com as autarquias para estruturar medidas efetivas de apoio no que extravasa a competência da própria escola.

A escola que teve melhores percursos de sucesso, face à média dos estabelecimentos de ensino comparáveis, é um colégio com contrato de associação. Esse desempenho credibiliza o argumento destes colégios de que conseguem fazer melhor com os mesmos meios da rede estatal?

Não é legítima uma generalização a partir de um caso singular.

É conhecida a posição do Ministério da Educação em relação a rankings com base nos exames. Mas quando nos deparamos com escolas cujos alunos têm médias inferiores a 8 no secundário ou não chegam aos 2 valores nas provas de Matemática do 9.º ano, esses resultados não devem constituir um sinal de alerta, não só para as escolas como para o ministério?

Claramente. E é por isso que esses dados existem, são disponibilizados e analisados pelas escolas e pelo ministério em conjunto com vários dados que temos vindo a disponibilizar. Destes dados devem resultar ações e medidas de apoio. O que defendemos é que os resultados dos exames por si só não permitem uma avaliação completa da qualidade de uma escola e que esta lista seriada não tem qualquer utilidade enquanto instrumento de trabalho.

Sendo os dados relativos ao contexto social e económico evidentemente decisivos, o que explica a resiliência demonstrada por algumas escolas e o rendimento abaixo do expectável de outras?

A avaliação externa das escolas TEIP [territórios educativos de intervenção prioritária] mostra que há escolas resilientes e outras que não descolam. A liderança das escolas está bem identificada como fator crítico, mas importa aprofundar este conhecimento dos fatores diferenciadores. O Conselho Nacional de Educação já anunciou que vai estudar estas diferenças, o que será um importantíssimo apoio para o lançamento da nova fase do projeto TEIP.

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