"Só venho dar afetos", dizia Marcelo. "Não quero, não quero!", chorava a menina Rafaela

O Presidente da República escolheu o hospital de Vila Franca de Xira, uma Parceria Público Privada, como um "bom exemplo" no Serviço Nacional de Saúde (SNS). O Ministro da Saúde aproveitou os holofotes e juntou-se à visita

Assumido hipocondríaco, Marcelo Rebelo de Sousa levou a comitiva presidencial ao hospital de Vila Franca de Xira. "Sinto-me, bem, muito bem", disse sorridente quando questionado sobre essa sua fobia. À saída de cada quarto que visitava, lavava diligentemente as mãos no líquido desinfetante pendurado à porta.

Sempre descontraído visitou o piso pediátrico, o de obstetrícia e o bloco de partos. Não foi por acaso esta escolha de roteiro. Em 2015 este hospital teve um autêntico "boom" de nascimentos a nível nacional. Foram registados 1624 partos, mais meio milhar que em 2013.

Na ala na pediatria, a única em que os jornalistas puderam entrar nos quartos, Marcelo não se limitou em carinhos. Brincou com uma bebé de seis meses, a recuperar de uma bronquite e que não se intimidou com as câmaras. "Olha, olha, já se viu que gosta das luzes. Que bem disposta. É benfiquista!", observou. "Bem, hoje somos todos Portugal, mas simpáticos com a Bélgica", acrescentou, referindo-se ao jogo amigável que se realiza logo à noite.

A seguir, não teve tanta sorte com outra menina. Rafela berrava agarrada ao pescoço da mãe. "Não quero, não quero", gritava fugindo das câmaras dos flashes das máquinas fotográficas. Marcelo não se intimidou, e ainda se aproximou da menina, tentando fazer-lhe festas. "Então minha querida, não te assustes, só venho dar afetos", tentou. Em vão. "Não quero!", chorava Rafaela, não dando qualquer hipótese aos afagos presidenciais.

Noutro quarto, colocou a mão na testa de um rapaz de 16 anos, internado por causa de uma infeção no dente. "Está um pouco quente, está. Isto é raro, uma infeção no dente e ficar assim", comentava com o diretor clínico a seu lado. Na outra cama estava outro rapaz, com um pé cheio de ferros. "Então o que foi isso?", questionou o Presidente. "Um salto mal calculado", respondeu o jovem, meio a rir. "Vê lá se para a próxima, calculas melhor o salto", aconselhou Marcelo antes de sair do quarto e desinfetar, mais uma vez, as mãos.

Salvador Mello, o Presidente da José de Mello Saúde, a entidade privada parceira do Estado neste hospital, reparou no gesto do Presidente e, em sinal de aprovação, lembrou que "a segurança hospitalar é uma prioridade neste hospital", sublinhando que o hospital está acreditado pela Joint Comission Internacional, a mais prestigiada a nível mundial.

Para o Presidente da República o hospital de Vila Franca de Xira é um bom exemplo dos benefícios de uma parceria entre "o interesse público e uma gestão privada competente", sendo essa uma das razões que indicou a justificar esta deslocação. Marcelo entende que o setor da Saúde merece um "consenso nacional", até a nível político. "De uma forma suave tem sido estabelecido um consenso em várias frentes políticas e sociais. O próprio Ministro da Saúde vai também nesse caminho", afirmou olhando para Adalberto Campos Fernandes, que acompanhou a visita. O Ministro, deixou um elogio ao desempenho do hospital no caso da legionella, no ano passado, em que morreram 14 pessoas. Marcelo salientou que "nos últimos meses não tem havido polémicas na área da saúde" e frisou que "o acento tónico para um consenso na saúde" também passa "pela valorização do SNS com o contributo dos privados. Tudo com mínimo de dramas". A "segurança social" é outra área para a qual gostaria de ver também um "consenso" social e político.

Questionado por que razão não tinha visitado uma unidade de saúde totalmente pública, o Presidente lembrou que, ainda na pré-campanha, esteve "num hospital público, com condições difíceis, mas com grande capacidade de resposta". Referia-se ao hospital de S.José, que visitou em dezembro de 2015, na sequência da morte de um jovem, alegadamente por assistência desadequada. "Mas este não será certamente o último hospital que visitarei", prometeu.

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