Racismo e tortura na PSP: julgamento de 17 agentes prossegue hoje em Sintra

Esta manhã tem lugar a terceira sessão do julgamento dos 17 polícias da esquadra de Alfragide, acusados de racismo e tortura

Sete dos polícias acusados, incluindo um chefe, já foram ouvidos em tribunal e esta terça-feira começam a prestar testemunho os restantes 10.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), 17 elementos da PSP, à data dos factos (fevereiro de 2015) a prestar serviço na Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial da Amadora, espancaram, ofenderam a integridade física e trataram de forma vexatória, humilhante e degradante as seis vítimas, além de incitarem à discriminação, ao ódio e à violência por causa da raça.

Os agentes já ouvidos têm negado todas as acusações e contrariado a versão que é defendida pelo MP, a começar pela localização do primeiro incidente desse dia, provocado pela detenção de um dos jovens na Cova da Moura.

Os polícias alegam que as lesões e os ferimentos provocados nos jovens se deveram ao facto de terem sido obrigados a usar a força porque estes tentaram invadir a esquadra e resistiram às detenções. O MP considerou que a versão dos polícias era falsa.

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