"Pulverização de sindicatos na PSP é partir-lhes a espinha"

Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da CGTP apelou a que se "acabe com a fantochada e bagunça" da "pulverização" de sindicatos na PSP. "Não é pluralismo, é vergonha"

"A pulverização de sindicatos na PSP tem uma intenção clara: partir-lhes a espinha", atirou, para uma plateia cheia de polícias - que viram este mês a nascer o seu 17º sindicato - Carvalho da Silva, o sociólogo e ex-secretário-geral da CGTP. O palco era a conferência promovida pela Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP) da PSP para discutir a lei sindical nesta força de segurança, para assinalar os 29 anos dos "Secos e Molhados", o dia em polícias que lutavam pelo sindicalismo foram travados com canhões de água disparados por outros polícias, no Terreiro do Paço.

O ponto de partida foi o cenário, que o DN tem noticiado, do crescente número de sindicatos, a maior parte sem representatividade , alguns com mais dirigentes que associados e que, no final do ano passado significaram mais de 36 mil folgas, pelos créditos sindicais que a lei lhes atribui. O ministro Eduardo cabrita, através de uma mensagem, e os deputados do PS, PSD, CDS e PCP presentes (Susana Amador, Maria Emília Cerqueira, Nuno Magalhães e António Filipe, respetivamente), manifestaram o seu apoio a uma alteração legislativa, mas há um ano que têm uma proposta de lei do governo para debater e nem sequer foi agendada. Para esta mudança na lei é preciso um acordo entre o PSD e o PS.

"Esta atomização não é pluralismo sindical. Serve para dar à sociedade a ideia de divisão, descrédito e desacreditar o movimento sindical. É uma fantochada e uma vergonha. E é possível acabar com ela. Há que forçar regras de representatividade que não permitam esta bagunça", salientou Carvalho da Silva.

Momentos antes, na abertura da conferência, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues lamentava que depois de "tanta luta por uma polícia melhor, a prestar melhor serviço à sociedade, que levou à compressão dos cidadãos em relação ao sindicalismo" que "pela falta de consciência e responsabilidade de alguns elementos" se "esteja agora a pontapear o trabalho feito". Reforça que "nunca" defendeu "a unicidade", mas que "com 17 sindicatos é muito difícil ser forte no poder negocial e reivindicativo". Lamentou também que "os políticos desvalorizem" esta situação e que não corrijam o problema identificado, "que se agrava de dia para dia".

Bernardo Colaço, juiz conselheiro jubilado, que ao tempo em que era procurador da República, apoiou os sindicalistas da PSP, concorda que "é preciso eliminar a perversidade que esta multiplicidade representa". No seu entender "é inconcebível que uma instituição com pouco mais de 20 mil profissionais tenham 17 sindicatos".

Susana Amador, que tem este dossiê no grupo parlamentar, garantiu que os artigos "infelizes" da proposta de lei , como assumiu a anterior ministra da tutela, que mais polémica causaram - impunham a "lei da rolha" - iriam ser alterados e que "com a nova direção do PSD, esperava maior abertura" para um acordo. "Quem não queria falar connosco era o PS, nós sempre estivemos abertos", retorquiu Maria Emília Cerqueira.

Braga: já nasceu o 17º sindicato da PSP

Este mês foi registado mais um sindicato na PSP. É o 17º e designa-se Sindicato dos Policias de Braga, resumindo a sua representatividade, por agora, aos agentes daquele comando distrital. "Qualquer dia ainda temos o sindicado de "vão de escada" ou da roulotte", ironizou o ex-secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva, que falava a conferência da ASPP sobre a "pulverização" de estruturas sindicais nesta força de segurança.

Não foi possível falar com nenhum dirigente deste novo sindicato, que não tem ainda contactos online. A direção nacional da PSP não conseguiu responder em tempo útil sobre o número de dirigentes deste novo sindicato.

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