Professores iniciam hoje greve de quatro dias por regiões

Protesto arranca nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém e região autónoma da Madeira

Os professores iniciam hoje uma greve de quatro dias, distribuída por regiões, depois de permanecer inalterado o desacordo com o Governo sobre o tempo de serviço dos docentes que deve ser descongelado.

A greve arranca hoje nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém e região autónoma da Madeira e termina a 16 de março, sexta-feira, dia em que os professores paralisam na região norte (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) e na região autónoma dos Açores. Na quarta-feira, a greve concentra-se na região sul (Évora, Portalegre, Beja e Faro) e no dia 15 na região centro (Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco).

Hoje "há greve e diria que, quando iniciámos esta reunião, entendíamos que era necessária uma grande greve dos professores para que o Governo percebesse que não pode apagar o tempo de serviço aos professores. Quando saímos desta reunião, saímos com a certeza de que não terá de ser uma grande greve, vai ter de ser uma extraordinária greve", disse na segunda-feira aos jornalistas o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores(Fenprof), Mário Nogueira, no final de uma reunião com o Governo.

O Governo voltou a apresentar aos sindicatos a mesma proposta que já tinha divulgado numa reunião negocial anterior, que apenas admite o descongelamento de dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, que não desistem, por seu lado, de ver contabilizados os nove anos, quatro meses e dois dias congelados.

A reunião, juntou os ministérios da Educação, representado pela secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, e das Finanças, representado pela secretária de Estado da Administração e do Emprego Público, Fátima Fonseca, as duas grandes federações sindicais da educação (FNE e Fenprof) e outros oito sindicatos mais pequenos.

As estruturas sindicais faziam depender dos resultados da reunião de segunda-feira uma eventual desconvocação da greve, exigindo que a tutela recue nos termos da proposta que até ao momento não devolve os mais de nove anos de tempo de serviço reclamados pelos docentes.

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