Plástico das praias vai ser transformado em equipamentos desportivos

Iniciativa vai decorrer em 14 praias de norte a sul do país. Tem o apoio institucional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Quercus

Se na próxima vez que for à praia se deparar com um depósito gigante de plástico, não estranhe. É lá que deve colocar os resíduos plásticos que encontrar, ou mesmo os que levar de casa, para que sejam transformados em equipamentos de atividade física, que posteriormente vão ser colocados na praia.

É esta a promessa do projeto "TransforMAR", uma iniciativa do Lidl Portugal, da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) e da Associação Portuguesa de Gestão de Resíduos (Amb3e), apresentada hoje, às 16.00, junto à praia do CDS, na Costa da Caparica. A ação decorre de 15 de junho a 19 de agosto, em 14 praias de norte a sul do País, e conta com o apoio institucional da Agência Portuguesa do Ambiente e da Quercus.

"O objetivo é sensibilizar as pessoas que estão na praia para a necessidade de recolha e separação do plástico. Oitenta por cento da poluição marinha é plástico. É urgente reduzir o consumo", diz ao DN Catarina Gonçalves, coordenadora nacional do Programa Bandeira Azul.

O depósito - "plasticódromo" - será colocado à entrada da praia e convida a que os veraneantes ali coloquem os resíduos plásticos, evitando que o seu destino final seja o mar. Ficará, em média, três dias em cada praia e tem a particularidade de dar a conhecer à comunidade o número de artigos recolhidos por hora e o respetivo peso em quilogramas, ao final do dia.

Mais plástico, mais equipamentos

Posteriormente, o plástico recolhido "será levado para reciclagem e transformado em equipamentos integrados de atividade física" para equipar as respetivas praias. Quer isto dizer, frisa a organização, que "quanto mais se reciclar mais a praia irá ganhar".

Além da praia do CDS, na Costa da Caparica, o "plasticódromo" vai passar por outras 13 praias: Leça da Palmeira, Matosinhos, Baía (Espinho), Furadouro (Ovar), Aguda (Vila Nova de Gaia), Relógio (Figueira da Foz), Carcavelos, Santo Amaro (Oeiras), CDS (Almada), Armação de Pêra (Silves), Rocha (Portimão), Pescadores (Albufeira) e Quarteira (Loulé).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.