O regresso dos fuzileiros às missões expedicionárias

Quatorze anos após a última missão de uma companhia de fuzileiros em Timor, as forças especiais da Marinha vão para a Lituânia.

A Lituânia vai ser o próximo teatro de operações dos Fuzileiros, numa missão da NATO e 14 anos após Portugal empenhar pela última vez uma companhia dessas forças especiais no estrangeiro, soube o DN junto de fontes militares.

Com 52 novos fuzileiros a receberem hoje a boina da especialidade, numa cerimónia em Vale de Zebro (Barreiro) presidida pelo ministro da Defesa, a decisão do poder político deverá concretizar-se no segundo trimestre de 2018 e por um período de quatro meses.

Os fuzileiros foram empregues numa única missão de seis meses - em 2000, na Bósnia - durante os quase 20 anos ininterruptos de presença das Forças Armadas nos Balcãs. Timor-Leste, em 2004, foi o último teatro de operações em que a chamada infantaria de Marinha teve companhias em serviço no exterior.

"Os Fuzileiros têm sido subaproveitados nas missões expedicionárias que as Forças Armadas cumprem" desde 1996, quando voltaram ao exterior após o fim da guerra colonial, disse ontem Miguel Machado, tenente-coronel paraquedista na reforma e responsável pelo site especializado www.operacional.pt.

"O Corpo de Fuzileiros é uma unidade de elite, deve ser empregue nos teatros de operações da actualidade onde Portugal está empenhado sob pena das suas capacidades, e mesmo motivação, se degradarem", adiantou o militar ao DN, lembrando que "há muitos anos que não cumprem uma única missão expedicionária, tipo Força Nacional Destacada [FND]".

O regresso dos fuzileiros ao exterior coincide com a nomeação de um novo almirante como chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), a partir de março de 2018. Note-se que a Marinha, que se escusou a confirmar o caso, lhes tem dado visibilidade nos últimos meses, suscitando mesmo reservas a nível político com as ações de vigilância nas praias. O apoio à Proteção Civil e às autarquias afetadas pelos fogos em Pedrógão Grande foi outro exemplo.

A próxima FND na Lituânia terá cerca de 120 efetivos e para emprego no quadro das "medidas de tranquilização" da NATO em países aliados junto das fronteiras da Rússia. Desde 2015 que só têm sido enviadas unidades do Exército para os Bálticos.

A última, uma companhia de Atiradores Mecanizada, chegou sexta-feira a Lisboa após quatro meses em missões de treino e exercícios multinacionais com forças de outros países da NATO.

O regresso das Forças Armadas ao Afeganistão em 2018, no âmbito da missão Apoio Resoluto (RSM, sigla em inglês), a par da presença na República Centro Africana (RCA) ao serviço da ONU, explicam a necessidade de o país voltar a usar fuzileiros nas FND.

Com a falta de efetivos nos Comandos a impedir uma terceira unidade consecutiva na RCA, serão os paraquedistas a cumprir a próxima rotação. Isso explica também o envio dos paras para o Afeganistão em abril, com duas dezenas e meia de instrutores de Artilharia.

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