PSD. Militantes inscritos em bloco fazem distrital de Aveiro maior que Lisboa

Militantes irregulares, quotas pagas em bloco, um ex-governante e o líder parlamentar como mandatários. Aveiro tornou-se a segunda distrital com mais delegados ao congresso

No próximo sábado Pedro Passos Coelho vai a votos sozinho para a liderança do PSD, tendo por isso a eleição garantida. Mas, no mesmo dia (5 de março) há uma estrutura do partido que vai a votos e cuja batalha eleitoral está animada: a distrital do PSD de Aveiro. Dezenas de militantes na mesma morada, quotas pagas à pressa e em bloco e um ex-governante (Hermínio Loureiro) e o líder parlamentar (Luís Montenegro) como mandatários dos dois lados da barricada. A

É caso para perguntar: o que é que Aveiro tem? O fluxo anormal de militantes inscritos nos últimos meses devido a estas eleições levou, como se pode constatar na última edição do Povo Livre, a que a distrital de Aveiro se tornasse na segunda maior do país (85 delegados ao congresso), destronando Lisboa AM (76), sendo apenas mais pequena que a do Porto. Ao todo, apurou o DN, o distrito tem hoje 6963 militantes.

Em dois meses do último verão (junho e julho) foram inscritos 418 militantes na secção de Ovar, dos quais 271 pertencem à freguesia de Esmoriz e 80 tinham residência na rua dos Pescadores. Este fluxo anormal levou até o atual presidente da distrital e candidato Ulisses Pereira a falar em "fortes indícios de irregularidades graves e de viciação". Além disso, há 121 novos inscritos que partilham três números de telemóvel: um número com 77, outro com 33 e outro com 11.

Na última semana ficou a saber-se que, além de apoiante, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, é mesmo o mandatário da candidatura de Ulisses Pereira, que enfrenta o presidente da câmara municipal de Ovar, Salvador Malheiro. O autarca estava em aparente vantagem, mas o atual presidente do PSD/Aveiro (também apoiado pelo presidente da câmara de Aveiro, Ribau Esteves) conseguiu equilibrar as coisas.

Apesar de tudo, como o DN já tinha avançado a jogada em Aveiro é arriscada para o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que se expõe como líder dos deputados do PSD se perder na sua distrital. No vídeo de apoio, Montenegro envolveu-se até numa troca de farpas com o antigo presidente da distrital António Topa. O líder parlamentar atacou um "vice-presidente que esteve ao lado do presidente ao longo dos últimos quatro anos, por motivos que só podem ser menores colocar em causa esta liderança." Na resposta, António Topa, no Facebook, criticou Montenegro: "Intervenção com uma parte final vergonhosa, indigna de um dirigente nacional do PSD sem qualquer sentido de responsabilidade."

No final da última semana foi a vez de um antigo governante, Hermínio Loureiro dar apoio ao candidato que enfrenta o atual líder. Numa declaração em que apelou ao voto em Salvador Malheiro, o antigo secretário de Estado adverte que "o PSD em Aveiro tem de ser um partido com valores e princípios, verdadeiramente social-democratas mas permeável à inovação, criatividade e imaginação". Hermínio Loureiro considerou ainda esta "uma candidatura unificadora com um projeto realista, galvanizador e agregador".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.