Manifesto em defesa do SNS com 1001 apoiantes

Começou por ser um grupo de 21 dirigentes e ex -dirigentes da saúde, hoje são 1001 os subscritores do Manifesto pela Nossa Saúde, pelo SNS, entre os quais Manuel Alegre e Vasco Lourenço.

O documento critica uma política de saúde "exclusivamente orientada para o tratamento da doença" e pouco focada na prevenção e promoção da saúde. Apesar dos alertas que têm feito desde junho, em cartas e numa reunião com a secretária -geral adjunta do PS, ainda esperam pela reunião com António Costa na qualidade de secretário -geral do PS e de primeiro--ministro. Grupo fundador diz que não vai desistir e pondera realizar ações públicas depois das eleições autárquicas.

A última carta a pedir uma reunião foi enviada para a sede do PS a 16 de agosto. O grupo fundador - constituído por médicos, enfermeiros, sindicatos, ex-bastonário e ex-presidentes de secções regionais de ordens profissionais - relembra a reunião que tiveram no final de junho com a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e as preocupações com a atual política de saúde.

Apoiaram-se em indicadores de vários estudos nacionais e internacionais para alertar para tempos de espera prolongados para consultas e cirurgias, o excesso de mortalidade entre idosos no verão e no inverno, para lembrar que existem mais de 800 mil utentes sem médico de família, para a diminuição da despesa pública da saúde em 21% entre 2009 e 2015, passando de 6,9% para 5,8% do PIB, e para a percentagem do financiamento público dos cuidados de saúde prestados à população que "é desde 2014 das mais baixas da Europa a 28 (66%)".

Argumentos expostos no Manifesto pela Nossa Saúde, pelo SNS lançado no início de julho e já com a promessa da marcação de uma reunião com António Costa, que acabou por não se realizar. Na altura, o manifesto juntava 101 assinaturas, todas de personalidades de esquerda ligadas à saúde e que se destacaram como apoiantes do acordo que em 2015 permitiu ao PS formar governo. Considerando, por isso, que a atual conjuntura é perfeita para fortalecer o SNS. Contudo, salientam no manifesto que "quase a meio do mandato do governo" a situação na saúde "permanece sem sinais de mudança que alterem a natureza do modelo político de saúde". Destacando as limitações no acesso como o "maior obstáculo aos serviços de saúde", do qual "os tempos de espera inadmissíveis são disso a melhor evidência e o crescimento da afluência às urgências o pior sintoma da disfunção que reina na saúde." Motivos que levam o grupo a defender uma reforma que integre os cuidados hospitalares, de saúde primários, continuados, saúde pública e outros atores como educação e segurança social e autarquias.

Agora o manifesto junta personalidades que vão muito além da saúde. Conta com as assinaturas de militares de Abril como Vasco Lourenço, Amadeu Garcia dos Santos e Carlos Matos Gomes, os ex-dirigentes do PS Ana Benavente e José Reis, escritores, artistas plásticos, os sociólogos Boaventura Sousa Santo, Emídio Estanque, a deputada municipal de Lisboa Helena Roseta e o histórico do PS Manuel Alegre. Na carta de 16 de agosto, à qual juntaram o manifesto, pediam novamente uma reunião com António Costa. "Passaram 15 dias e não obtivemos resposta. Vamos debater em setembro que ações tomar. Vamos debater a hipótese de ações públicas como conferências após as autárquicas e assegurar o envolvimento de mais organizações que partilhem as nossas preocupações", explica ao DN o médico Paulo Fidalgo, que faz parte do grupo fundador.

Ler mais

Exclusivos