Isaltino medalhou-se a ele mesmo de "o candidato mais independente de Portugal"

As sondagens foram sempre favoráveis nas últimas semanas para Isaltino Morais. Ontem, confirmaram-se as expetativas ao vencer em Oeiras.

A noite eleitoral foi mais do que excelente para Isaltino Morais. Basta ver que enquanto as primeiras projeções iam sendo adiantadas ontem à noite era sempre acrescentada nas notícias online a frase "cumpriu uma pena de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais", mas uma hora depois essa referência estava esquecida. Aliás, no seu discurso de vitória Isaltino Morais fez questão de pronunciar a palavra "tolerância" numa alusão direta aos tempos mais complicados da sua vida pós-autárquica. E não se ficou por aí, Isaltino Morais medalhou-se a ele mesmo com a faixa de "o candidato mais independente de Portugal".

Os "oeirenses", a palavra que mais repetiu nesse discurso de agradecimento, quiseram Isaltino Morais de novo à frente da câmara e foram claros no apoio maciço que não se verificou com outros "dinossauros". Encheram o espaço onde o regressado autarca fez o discurso da vitória e não o deixaram iniciar o discurso sem lhes ser pedidas por várias vezes silêncio. O semblante de Isaltino Morais era de felicidade em cima do palco e fez questão de ter a seu lado todos os colaboradores mais próximos que o ajudaram a caminhar para este novo período de quatro anos à frente de Oeiras, a acumular aos anteriores 24 que já conta no currículo.

Os "oeirenses" devotos de Isaltino começaram a chegar à sede ainda pouco passava do fecho das urnas e as bandeiras esvoaçaram mal se ouviram as projeções dos resultados eleitorais. Nessa primeiríssima ronda pelos grandes vencedores da noite, o nome de Isaltino foi dos primeiros a aparecer nos ecrãs. Afinal, confirmava-se o regresso menos inesperado destas eleições, isto porque todas as sondagens durante a campanha foram apontando o seu nome como um dos grandes vencedores da noite de ontem.

Quem confirmou da pior maneira o acerto dessas sondagens foi o seu ex-vice-presidente, Paulo Vistas. Em declarações uma hora após o anúncio das projeções, Vistas assumiu que o seu resultado eleitoral estava longe do esperado e desejou felicidades aos eleitos. Não se distanciou de Isaltino Morais a cem por cento, até admitiu que poderia ponderar uma futura colaboração: "É um assunto que vou refletir com a minha equipa". Acrescentou: "Trabalhámos durante quatro anos com afinco e estamos de cabeça erguida".

Essa não foi a interpretação de Isaltino Morais, que no seu discurso não esqueceu o seu ex e atual autarca de Oeiras, tendo dito que "o poder não é a cadeira mas a capacidade para ouvir as pessoas". E claro, considerou necessário dar a Oeiras "um novo ciclo de desenvolvimento", uma atitude em contraste com o que considera terem sido os últimos quatro anos em que esteve ausente da tal "cadeira do poder".

Isaltino não foi muito mais longe neste regresso à política ativa no que respeita a afirmações polémicas e promessas, tendo preferido esperar pelo apuramento total dos votos para se pronunciar em definitivo. "Esta não é a altura para intervenções políticas", festejando antes "a vitória que já tivemos", repetindo-se "que é dos oeirenses"; que resulta da "determinação dos oeirenses" e que "foi o que os oeirenses quiseram". Ou seja, concluiu: "Estaremos aqui pelos próximos quatro anos".

Atrás de Paulo Vistas, ficou a candidatura de Ângelo Pereira, coligação PSD/CDS/PPM, que lamentou cedo não atingir o "objetivo". O que também aconteceu com Joaquim Raposo, do PS, e Heloísa Apolónia, da CDU.

Ler mais

Exclusivos