Cristas elogia vice que assumiu homossexualidade: "Demonstrou coragem e retitude"

Adolfo Mesquita Nunes deu uma entrevista em que assumiu perante a opinião pública que é homossexual
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A líder do CDS elogiou hoje, em declarações ao Expresso, a decisão do vice-presidente do partido de assumir a homossexualidade numa entrevista àquele semanário publicada este sábado.

"Sabia que o Adolfo daria a entrevista, como soube dos ataques pessoais de que foi alvo na campanha na Covilhã. O Adolfo sempre contou e conta com o meu apoio", disse Assunção Cristas, para quem Adolfo Mesquita Nunes "demonstrou, nesta entrevista de vida, coragem e retitude".

Cristas reiterou a "admiraçãoe respeito" que tem pelo vice-presidente do partido. "O país fica a dever-lhe muito", considerou.

A homossexualidade do dirigente centrista foi abordada durante a campanha eleitoral para as autárquicas. Candidato à câmara da Covilhã, viu alguns cartazes serem rasgados e sempre que isso acontecia estes eram substituídos. Mas isso não sucedeu quando alguém escreveu "gay" num cartaz colocado numa rotunda no centro da cidade. "Não vamos substituir este cartaz, porque eu quero deixar claro - quer para quem vandalizou e para a campanha que motivou essa vandalização, quer para a população da Covilhã - que eu não tenho vergonha, nem tenho qualquer problema em ser quem sou. Pedi que não o substituíssem porque não era mentira", lembrou na entrevista dada ao Expresso.

Mesquita Nunes recordou que durante a campanha falou deste mesmo episódio durante um comício em que esteve presente a líder centrista, Assunção Cristas. "Não supus que os jornalistas não estivessem a prestar atenção e que só noticiassem o que a Assunção disse", comentou, dizendo que partilhou esse discurso no Facebook e que está na Net.

Depois desse, não houve mais incidentes na campanha, garantiu Adolfo Mesquita Nunes, para quem assumir perante a opinião pública a sua homossexualidade é, mais do que um statement político, não esconder quem é. "Não me ocorre esconder esse assunto num contexto como este", justificou o vice-presidente do CDS. Tratando-se de uma entrevista de vida, o ex-secretário de estado do Turismo do governo PSD/CDS considerou normal abordar a questão. "É algo que faz parte de mim e com que convivo perfeitamente e com naturalidade".

"As pessoas afirmarem publicamente que são homossexuais, não há muito quem o tenha feito. E acho que isso é importante. E há duas razões para eu achar importante dizê-lo", disse, assumindo a sua afirmação como "completamente política" . "E acho que se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia. E se as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual, isso pode fazer que a forma como olham para isso seja por um lado menos não querer saber se essas pessoas são perseguidas, por outro lado até defender que assim não seja".

Já este sábado, Graça Fonseca defendeu no Facebook que a entrevista de Adolfo Mesquita Nunes "é extraordinariamente importante". "Para o país, sim. Mas em especial para muitas pessoas que não querem saber de rankings, de tamanhos de direções partidárias ou se são atuais ou ex do governo. O que lhes importa é existirem outras pessoas que dizem, alto e bom som, que são como elas".

Na ediçaõ impressa de hoje do DN considera que afirmar-se gay por quem tem exposição "é sempre relevante".

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