Água castanha invade praia do Magoito

Câmara garante que não é descarga de esgotos. Foi o tanque da Etar que transbordou

Um manto de espuma acastanhada, que se misturou com a água e a areia da praia do Magoito, fez temer um novo desastre ambiental, à semelhança do sucedido no rio Tejo, na zona de Abrantes, no final de janeiro. Mas, afinal, tudo não passou dos efeitos da tempestade Félix associada a uma ETAR em más condições, que já provocou várias situações semelhantes.

"A precipitação dos últimos dias e a sua intensificação este fim de semana com a chegada da tempestade Félix, originou um grande caudal de águas pluviais [da chuva]. Este fenómeno provocou o transbordar do tanque de contenção da ETAR do Magoito, o que levou as águas pluviais diretamente para o mar", explicou ao DN Rui Mateus, assessor do presidente da Câmara de Sintra, garantindo que o que aconteceu "nada teve que ver com descargas de esgotos mas com o transbordar do tanque de contenção da ETAR do Magoito".

Ainda segundo o porta-voz do autarca Basílio Horta, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e os Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS) estiveram ontem de manhã no local, tendo sido possível apurar que as análises da água estão de acordo com os parâmetros normais.

Sem revelar os valores das análises, a APA confirmou ao DN ter tido conhecimento da situação. "No dia 9 de março, a Agência Portuguesa do Ambiente foi informada pelo SMAS de Sintra da necessidade de entrada em funcionamento dos descarregadores de tempestade da ETAR do Magoito, resultado da elevada precipitação sentida nos últimos dias. A situação foi de imediato verificada no local pela GNR/ /SEPNA em articulação com esta agência", conta a APA, garantindo que ontem voltou ao local e já não havia "vestígio da ocorrência".

O porta-voz da câmara reconhece que "a ETAR devia ter mais capacidade de contenção", até porque situações do género já aconteceram nos últimos dez anos. Por isso, acrescenta, "a autarquia iniciou obras de reabilitação do equipamento há 10 meses". O objetivo é dotar esta estação de tratamento com mecanismos para reutilização de cursos de água, que correm a partir de uma acumulação de outros cursos de água na época das chuvas. "É um bom investimento para a população e para a preservação do meio ambiente. A reabilitação desta infraestrutura no Magoito vai resolver um problema de acumulação de águas e lamas que estava sem solução", referiu Basílio Horta numa visita ao local, a 11 de abril do ano passado. O investimento é de cerca de 900 mil euros (85% do valor adjudicado tem financiamento aprovado do POSEUR) e abrange 5500 habitantes.

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