Inspeção da Saúde não confirma casos de doentes sem alimentação e medicação

Bastonária dos enfermeiros tinha dito em dezembro que houve doentes num hospital público sem alimentação e medicação durante dois dias. Ministério Público já abriu inquérito por iniciativa própria

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) não confirmou a existência de casos como os denunciados pela bastonária dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco, segundo a qual doentes internados num serviço de internamento aberto para dar resposta à grite teriam ficado alegadamente dois dias sem alimentação e medicação.

Em resposta a esta conclusão do IGAS, a Ordem diz estranhar que a inspeção não tenha ouvido os seus peritos e considera que o relatório não é satisfatório, pelo que enviará para a Procuradoria-Geral da República a denúncia escrita e as provas recolhidas.

Entretanto, o Ministério Público abriu inquérito por iniciativa própria e a investigação está a decorrer.

As palavras de Ana Rita Cavaco sobre doentes que teriam estado sem alimentação e medicação durante dois dias levou o CDS-PP a chamá-la à Comissão parlamenrtar de Saúde. Mas na assembleia a bastonária, que reafirmou a denúncia que tinha feito no início de dezembro, recusou-se a revelar qual o serviço e o hospital do SNS onde o caso se teria passado.

O DN questionou a IGAS que confirmou que o serviço em causa era o 2,5 a funcionar no Hospital dos Capuchos, que pertence ao Centro Hospitalar Lisboa Central. Nas respostas, a entidade inspetiva adianta que "não foram confirmadas" as denúncias feitas pela bastonária dos enfermeiros, nem detetadas irregularidades. Confirmam ainda que o processo de averiguações foi remetido ao gabinete do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Ao DN o Ministério disse que não se irá pernunciar sobre o assunto.

No final daquela comissão de Saúde, Ana Rita Cavaco afirmou que iria enviar a denúncia também ao Ministério Púiblico. Questionada pelo DN, a Procuradoria-Geral da República adianta que "na sequência das notícias, foi oportunamente instaurado, por iniciativa do Ministério Público, um inquérito. O mesmo encontra-se em investigação no DIAP de Lisboa".

Em resposta à IGAS, a Ordem dos Enfermeiros (OE) afirma que estranha que a inspeção não tenha pedido, para elaborar o relatório, a denúncia que lhes tinha chegado por escrito, nem ouvido os profissionais em causa. "Estranhamos igualmente que os peritos da OE que visitaram a unidade também não tenham sido ouvidos e que não nos tenha sido solicitado o relatório dessa mesma visita", afirma a Ordem em comunicado, onde ainda diz que "já informou a IGAS que o projecto de relatório não é satisfatório, pelo que seguirá para a Procuradora-Geral da República, juntamente com a denúncia escrita e outros meios de prova recolhidos". Acrescenta que se necessário recorrerá ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para garantir a segurança dos doentes e a qualidade dos cuidados.

Numa entrevista ao jornal Público, onde falou sobre o tema, a Inspetora-geral da Saúde Leonor Furtado afirnou que a bastonária "pode dizer o que quiser, é uma espécie de sindicato". Ana Rita Cavaco contesta as declarações: "A OE quer deixar claro que os enfermeiros do serviço fizeram aquilo que lhes competia. A OE não admite que a Senhora Inspectora-Geral da IGAS ponha em causa a ética profissional dos enfermeiros, nem aceita o tom com que o faz na entrevista desta quinta-feira" ao referido jornal.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG