Ingleses, espanhóis, franceses, alemães e muita animação para saudar 2018

Portugal é um destino muito procurado para a passagem de ano, sobretudo por europeus. Lisboa está no topo das preferências e são muitos os que prometem estar entre a multidão que irá festejar no Terreiro do Paço. Mas todo o país tem mais visitantes neste ano, com Algarve, Madeira e Porto em destaque. A animação nas ruas está garantida

Estruturas metálicas e um palco erguem-se no Terreiro de Paço nos últimos preparativos para o réveillon 2017-2018. Algo que não passa despercebido ao inglês Alan Westhead, que há 20 anos também fez a passagem de ano em Lisboa. "Havia gente na praça mas era cada qual por si. Agora, percebe-se que está melhor e é tudo muito organizado". Mantém-se o "charme" das ruelas e dos becos, a "beleza" da cidade e a "simpatia" dos portugueses, por isso, ele e a mulher trouxeram desta vez as filhas. E, muito provavelmente, serão mais uma família estrangeira entre os milhares de turistas que escolheram Portugal para saudar 2018, com muita música e fogo-de-artifício.

Lisboa é um dos destinos turísticos mais procurados para quem visita o país, num top 3 a que se juntam Albufeira e Funchal. Depois, há todo um conjunto de cidades a promover festas de fim de ano na rua, o que aumenta o interesse pelo país também nestas festividades, assegura quem trabalha na área.

"Nota-se um crescimento de turistas em toda a linha, uma subida ao longo de todo o ano e que naturalmente se reflete também na passagem de ano. Estimamos uma subida no Algarve na ordem dos dois dígitos [10%]; na Madeira não há mais por onde crescer, todas as viagens são vendidas e alojamentos ocupados, e em Lisboa há cada vez mais procura. Estes são os destinos preferidos mas o crescimento de turistas é generalizado a todo o país", diz Paulo Brehmer, da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo.

Os números reais só serão conhecidos para o ano, prevendo-se um aumento destes fluxos próximo dos 10 %. O Turismo de Portugal indica uma subida contínua do número de turistas em dezembro, tanto nacionais como estrangeiros. Aliás, Paulo Brehmer sublinha que também há um grande incremento de portugueses a deslocarem-se das suas casas. Neste ano, 18,2 milhões de pessoas viajaram pelo país e 62 % são estrangeiros.

Depois de Barcelona e Paris

Alan e a mulher, Jill, ambos com 70 anos, reformados, ele de uma companhia de telefones e ela de uma universidade, vivem em Liverpool, Inglaterra. Tornaram um hábito passar "o Ano Novo fora de casa" e, depois de Barcelona e Paris, voltaram a Lisboa.

Portugal faz parte da rota preferida do casal, elegendo além da capital, Sintra, Porto, o Algarve e Coimbra. Nesta semana trouxeram as filhas, Sara, de 41 anos, funcionária das finanças, e Poppy, 18, estudante. Alugaram um apartamento e têm passado os últimos dias a visitar Lisboa e arredores. É uma estreia para as raparigas, que confirmam a boa impressão transmitida pelos pais: "É uma cidade bonita, simpática, de muitos jovens, com prédios novos e os antigos a serem recuperados. Tem bons transportes e podemos andar a pé por todo o lado."

É uma família inglesa, uma das quatro nacionalidades com mais turistas em Portugal. "Nesta época não há alteração de mercado. Mantêm-se os fluxos tradicionais: Inglaterra, Espanha, Alemanha e França", caracteriza Paulo Brehmer. Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve e da Associação de Turismo do Algarve, junta à lista a Irlanda e a Holanda, como as principais origens de quem escolhe o Sul do país.

"Tem sido um crescendo todo o ano, pensamos ter mais de um milhão de dormidas neste ano, ultrapassando os 19 milhões, com uma média de seis noites por turista, menos do que no Funchal, mas três vezes mais do que em Lisboa e no Porto. É um tipo de turismo diferente do que nessas duas cidades, no entanto, há cada vez mais estrangeiros a visitar-nos mais vezes e por períodos curtos. Há mais turistas e isso reflete-se nesta altura do ano", explica Desidério Silva.

O mercado alemão é forte no Algarve e em todo o país. Sara Deynet, fisioterapeuta, e Hardy Schlosser, 42 anos, gestor de imobiliário, acabaram de aterrar em Lisboa, com partida de Hamburgo. Entusiasmados e sorridentes, dizem que escolheram Lisboa para saudar 2018 com a garantia de que a família terá mais um elemento. Ela está grávida de uma rapariga: "22 semanas."

Estão pela primeira vez em Portugal e a impressão inicial confirma o que tinham imaginado, conta Sara: "Lemos muita coisa sobre Lisboa, gostámos do que lemos e ficámos entusiasmados para conhecer esta nova cidade. Hoje visitámos a Sé e toda aquela parte antiga, gostámos muito. Tem muita vida e muito turismo." Acrescenta Hardy: "É uma cidade muito bonita e interessante. Estivemos em Alfama, com todas as suas ruas, muito bonito."

Bom clima para os visitantes

Ficam hospedados num hotel quatro noites já que a partida é no primeiro dia do ano. Reservaram a noite de réveillon pela internet, gostaram do menu e do local. Ver o fogo-de-artifício no Terreiro de Paço também está na agenda, assim Sara não se sinta cansada para prolongar a noite. Além da beleza da cidade e da simpatia dos seus residentes, elegem o bom clima. Isto numa semana em que tem chovido e faz frio.

"Nada que se compare às nossas temperaturas e não chove assim tanto. Isto é um tempo ameno em comparação com França, onde está a nevar", assegura Fabrice Bruni, 49 anos, engenheiro. Veio num grupo de dez pessoas, família e amigos que estão espalhados pelo território francês e que se encontram fora do país para festejar o Ano Novo. "Há vários anos que celebramos no estrangeiro e neste resolvemos vir a Lisboa", conta Fabrice, que já esteve por duas vezes na capital portuguesa, mas nunca nesta altura. Viajou com a mulher, Nathalie, engenheira, e a filha, Vitoria, 17 anos, estudante, de Lyon.

Um grupo divertido e já em modo de festa, que admira a cidade a partir do Cais das Colunas. Despedem-se com a promessa de que pelo menos nesta noite voltarão ao Terreiro do Paço, no culminar das festividades. Se não o conseguirem logo às 22.00, quando começa o concerto, será perto das 12 badaladas para verem o fogo-de-artifício do lado do rio Tejo. Vem também o casal Sebastian, 43 anos, comerciante, e Véronique Leguen, 48, polícia, da Bretanha. A que se juntam Marie Paule Struy, 66, reformada, de Orléans, e Cécile Bruni, 47 anos, de Toulose.

Ficam uma semana por Lisboa, com partida no segundo dia de 2018 e uma escapadela a Sintra. "Fizemos um programa para cada dia, Chegámos ontem à tarde [quarta-feira] e estamos a dar por bem empregue a viagem. Temos gostado de tudo", assegura Nathalie. Cécile acrescenta: "Admiramos as ruas pequenas, os museus, os aspetos culturais, além da gastronomia e do clima, claro". Elogiam, ainda, o bom acolhimento.

Estrangeiros de todas as nacionalidades, uns mais extrovertidos do que outros, e que se cruzam com a população local, com quem todos os dias atravessa o Terreiro de Paço, de casa para o trabalho ou vice-versa. É o local por excelência de festa do fim de ano, festejos de rua que cada vez mais se afirmam um pouco por todo o país. E esta é uma mais-valia para o turismo, sublinha Desidério Silva, sobretudo no Algarve. "Nos últimos anos consolidámos o fim de ano de rua, quando há seis ou sete anos acontecia praticamente só em Albufeira. Esta cidade continua a liderar o processo mas há muitos outros municípios a apostar em programas para o fim de ano. Antigamente, o réveillon resumia-se às salas de hotel, em espaços fechados, agora há espetáculos de rua por todo o lado e com muito bons artistas. Há muita oferta, muita procura e o fim de ano cada vez se consolida mais", explica o dirigente do turismo na região. Entre os muitos concertos, registe-se o dos Xutos & Pontapés em Albufeira que atuam pela primeira vez desde a morte de Zé Pedro.

As expectativas dos empresários do turismo estão em alta. "Há mais reservas neste ano, a hotelaria está praticamente esgotada", informa Desidério Silva, que aponta para uma taxa de ocupação acima dos 90% . Maioritariamente europeus, sobretudo das quatro nacionalidades que preferem o país, entre as quais se destaca a espanhola. "É um mercado muito forte.

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