Homem que baleou sobrinho em Ílhavo nega intenção de matar

A arma terá disparado acidentalmente durante uma discussão familiar, em outubro passado

Um homem de 43 anos acusado de ter baleado um sobrinho de 22, durante uma discussão familiar em Ílhavo, disse no Tribunal de Aveiro que não pretendia fazer mal a ninguém, alegando que a arma disparou acidentalmente.

"A minha intenção não era feri-lo, nem matá-lo", afirmou o arguido, que começou a ser julgado esta manhã por um crime de homicídio qualificado na forma tentada e outro de detenção de arma proibida.

Os factos ocorreram a 9 de outubro de 2017, num acampamento situado em S. Salvador, no concelho de Ílhavo, distrito de Aveiro.

Na origem da discussão terá estado o facto de o arguido não aceitar que o sobrinho vivesse com uma mulher que se dedicava à prostituição, numa casa contígua à sua.

"Fui falar educadamente com o meu irmão, porque não queria lá aquelas poucas vergonhas. Tenho uma filha de 12 anos e não queria que ela fosse abusada por alguém", disse o arguido, adiantando que o sobrinho também fazia assaltos.

Nessa altura, o arguido contou que o irmão e o sobrinho viraram-se contra si, tendo sido agredido com uma enxada e alvo de um disparo, e foi a casa buscar uma caçadeira com a qual fez três disparos para o ar.

"Não era para fazer nada contra eles. Só queria que aquilo acalmasse", afirmou o arguido, adiantando que quando regressava a casa deu mais um tiro, porque apertou o gatilho "sem querer", atingindo o sobrinho de raspão na cabeça.

Após ter efetuado os disparos, o arguido escondeu a arma e as munições num pinhal envolvente, onde, por indicação sua, vieram mais tarde a ser localizadas e apreendidas, e entregou-se no posto da GNR.

A acusação do Ministério Público (MP) diz que o arguido "atuou com o propósito de tirar a vida ao ofendido", sem que, contudo, haja logrado os seus intentos, por razões alheias à sua vontade.

A arma utilizada pelo arguido foi furtada de uma residência em Oliveira do Bairro, estando estes factos a ser investigados num outro inquérito a correr termos no MP daquela localidade.

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