Governo do PS legítimo, mas será curto e derrubado pelo PR

A maioria dos portugueses acredita que o governo de Costa não chega ao fim. Hipótese de queda mais provável: via Belém

O governo de Costa é legítimo, mas vai durar pouco e ter pouca estabilidade. A solução de um executivo PS apoiado pela esquerda no Parlamento é - no entender da maioria dos portugueses - "legítimo" (54%), mas também "instável" (53%) e de "curta duração" (54%).

De acordo com a mesma sondagem, apenas 26% dos portugueses acreditam que o governo socialista será duradouro e 29% que será estável. Apesar de não chegar à maioria dos inquiridos - embora com pouca diferença - são também mais os que consideram o governo "não credível" (44%) do que "credível" (40%). O mesmo acontece na avaliação da solução: 45% dizem que é negativa e 41% positiva.

Os eleitores da PàF são os que, naturalmente, menos acreditam no sucesso do governo de Costa. Para 84% deste eleitorado o governo era instável, para 82% negativa, para 57% ilegítima e para 84% de curta duração.

No caso dos eleitores do Partido Socialistas os números invertem-se nas escolhas pró-governo, mas não de uma forma exatamente proporcional. No eleitorado socialista a maioria acredita que o governo será duradouro, mas mesmo assim são apenas 56% desses eleitores.

Entre os que votaram na CDU e no Bloco de Esquerda, a maioria acredita que a solução escolhida é positiva e legítima, mas os bloquistas são claramente mais otimistas.

Os comunistas que acreditam que o governo será estável não chegam à maioria (48%). No Bloco são precisamente metade: 50%. Por outro lado, são os comunistas que acreditam mais que a solução será duradoura (44%) do que que os bloquistas (40%).

Se governo cair é pelo Presidente

A maioria dos portugueses (52%) acredita que o governo de Costa não chega ao fim da legislatura e apenas 35% admitem que esse cenário é possível (vendo os extremos: 8% dos eleitores da PàF e 61% dos do PS).

Além disso, acreditam que se o governo cair é via Belém. Sobre o que fará cair o governo, a maior parte (33%) acredita que é por via do "futuro Presidente, convocando eleições". Como segunda hipótese mais provável estão ex-aequo, com 11%, a "demissão do primeiro-ministro" por sua iniciativa e a traição de Bloco e PCP no Parlamento, votando censurando o PS ao lado de PSD e CDS. De registar que a hipótese que os eleitores comunistas consideram mais provável para a queda do governo (29%) é essa coligação PSD-CDS-BE-PCP no Parlamento.

Passos melhor e pior

Quanto ao desempenho do Governo de Passos Coelho, entre 2011 e 2015, a maioria dos inquiridos continua a avaliar de forma negativa: 51% (que se dividem entre os 29% que a avaliam a atuação dos executivos de coligação como má e 22% como muito má).

Ainda assim, face à última sondagem, as melhorias são significativas para PSD e CDS. Em junho de 2015, apenas 29% dos inquiridos diziam que o trabalho do governo era bom, agora são 38% a reconhecer que é bom. Aos quais se juntam os 2% (inalterados desde junho) que consideram que a atuação do governo de Passos foi muito boa. A avaliação positiva do governo passou de 31 para 40% dos inquiridos. A maioria dos portugueses continua também a achar que a austeridade teve efeitos negativos (55%), havendo apenas 33% que consideram positivos.

Ministros PS mais competentes

A maior parte dos inquiridos (28%) acredita que os ministros de António Costa são mais competentes que os de Passos Coelho. São apenas 19% os que consideram que a competência é inferior à do Executivo de Passos Coelho.

Os portugueses mostram-se, no entanto, céticos quanto a um efeito prático dessa competência, pois 34% dizem que o novo governo não vai governar nem melhor nem pior. Há depois 32% que acreditam mais em Costa e apenas 19% que acham que os socialistas vão fazer pior que PSD e CDS.

O mesmo estudo incidiu ainda sobre a opção europeia. A maioria dos portugueses está otimista (50%) quanto ao futuro de Portugal na União Europeia. É certo que só 1% dos inquiridos estão muito otimistas, mas também só 4% estão muito pessimistas.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 5 e 6 de dezembro de 2015. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezoito freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o próximo aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1183 inquéritos válidos, sendo 58% dos inquiridos do sexo feminino, 34% da região Norte, 20% do Centro, 34% de Lisboa, 5% do Alentejo e 7% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e das estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 69%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1183 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

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