Madeira: Governo critica falta de apoio a ex-emigrantes venezuelanos

Vice-presidente do Governo Regional disse que o regresso dos madeirenses provocou um aumento da despesa nas áreas da educação e da saúde, mas que ainda não receberam verbas do estado

Entre 7.000 e 8.000 emigrantes madeirenses na Venezuela regressaram à região devido à crise naquele país, mas o Estado ainda não transferiu qualquer apoio para o arquipélago, afirmou esta segunda-feira o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado.

"Até hoje não tivemos qualquer apoio financeiro para os regressados da Venezuela", disse Pedro Calado, no debate do Orçamento e Plano do Governo Regional da Madeira para 2018, quando questionado sobre a inexistência de qualquer verba inscrita para o efeito.

O governante salientou que este regresso de emigrantes na Venezuela devido à situação de instabilidade naquele país da América do Sul provocou um aumento da despesa nas áreas da educação e da saúde, verificando-se um "crescimento exponencial na taxa de natalidade" na Madeira.

"Todos são iguais e têm os mesmos direitos e regalias", sublinhou, vincando que, no que se refere aos emigrantes, a região "tem de os receber como qualquer" outro natural do arquipélago, disse, citado pela Lusa.

Pedro Calado indicou que, "apesar de não ter verbas orçamentadas no Orçamento Regional/2018" para este efeito, o Governo Regional "vai fazer todo o esforço" para apoiar estas pessoas.

Os decretos de emergência promulgados ao longo de 2017 pelo Presidente Nicolás Maduro não travaram a crise na Venezuela, que regista uma recessão profunda com uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 10% e uma inflação de 1.500%.

Com a crise política também a agravar-se, as previsões do Fundo Monetário Internacional apontam para uma situação ainda mais complicada em 2018, com a inflação a rondar os 2.350% e o PIB a contrair-se outros 12%, apesar de ser um país que tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

Habituada a conviver com a insegurança, a população lida diariamente com a falta de alimentos, medicamentos e a cada vez mais baixa qualidade dos serviços básicos, no meio de apelos para a abertura de um canal de ajuda humanitária, que o regime não aceita.

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