General invoca "cumprimento de deveres militares de tutela e de responsabilidade"

O último chefe do Exército explicou demissão em mensagem aos subordinados e publicada internamente.

O general Carlos Jerónimo despediu-se dos militares do Exército com uma mensagem onde diz que atuou em nome da "defesa dos princípios da ética e da honra", bem como no "cumprimento de deveres militares como os de tutela e de responsabilidade".

A mensagem de Carlos Jerónimo tem data de quinta-feira, dia em que apresentou e viu aceite o pedido de demissão como chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) pelo Presidente da República

"Sinto-me obrigado, perante acontecimentos recentes, a antecipar o fim" do mandato, em fevereiro de 2017, escreveu o ex-CEME sem especificar as causas do pedido de demissão, apresentado dias depois de o subdiretor do Colégio Militar assumir a exclusão de alunos homossexuais - o que contraria o princípio constitucional da não descriminação de género.

Após a exigência de esclarecimentos e da adoção de medidas para evitar essa situação, feita pelo ministro da Defesa e sem que se conheça a assunção de quaisquer responsabilidades internas ou o entendimento do ex-CEME sobre essa matéria, Carlos Jerónimo apresentou a demissão.

"Os homens e mulheres que servem Portugal no Exército continuam a ser formados e a acreditar nos valores que distinguem a profissão militar", pelo que o seu chefe máximo "deve assumir, como é sua obrigação, a defesa intransigente desses valores e dos deveres que lhes estão associados", declarou Carlos Jerónimo.

Há "momentos no percurso dos militares em que a defesa dos princípios da ética e da honra, bem como o cumprimento de deveres militares como os de tutela e de responsabilidade, impõem que se atue perante as circunstâncias", acrescentou o ex-CEME.

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