Gastos de Sofia Fava levam MP a incluí-la no rol de arguidos

Ex-mulher de José Sócrates é suspeita de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Processo já tem 13 arguidos

Fraude fiscal e branqueamento de capitais. Foram estes os dois crimes imputados a Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, pelo procurador Rosário Teixeira, que a inclui no lote dos arguidos da Operação Marquês. Segundo os dados recolhidos pela investigação, Sofia Fava beneficiou de transferências de dinheiro de José Sócrates não declaradas ao fisco, assim como de um contrato com uma empresa de Carlos Santos Silva que lhe permitiu pagar a compra de um monte no Alentejo.

Praticamente, desde 2014 que a investigação do processo tem suspeitas sobre eventuais crimes praticados por Sofia Fava, sobretudo depois de analisada a conta bancária de José Sócrates e as sucessivas transferências de dinheiro para a ex-mulher, depois de esta, através de telefonemas ou mensagens, lhe solicitar dinheiro. Sofia Fava também será suspeita de ter beneficiado de parte dos 23 milhões de euros, que o Ministério Público afirma que estariam na posse formal de Santos Silva, mas que na prática pertenceriam a José Sócrates. De acordo com os elementos já recolhidos pela investigação, Sofia Fava chegou a ter viagens e estadas pagas em Paris através de contas ligadas a Carlos Santos Silva. As contas do inspetor tributário Paulo Silva apontam para uma despesa de 43 mil euros.

No leque de suspeitas encontra-se ainda a compra de um monte alentejano: o Monte das Margaridas. Para o negócio, Sofia Fava terá recorrido a um crédito bancário, cujas prestações terão sido pagas por José Sócrates e através de um contrato celebrado entre a agora arguida e uma empresa de Carlos Santos Silva. Segundo as contas da investigação, o valor mensal auferido equivalia à prestação do monte no Alentejo.

Ontem, a Procuradoria-Geral da República limitou-se a confirmar que Sofia Fava foi interrogada como arguida, ficando sujeita à medida de coação mínima: termo de identidade e residência. A ex-mulher junta--se, assim, ao rol de 13 arguidos: desde o próprio Sócrates e Carlos Santos Silva, passando por Armando e Bárbara Vara, João Perna, Lalanda de Castro, Joaquim Barroca, Rui Mão de Ferro, Gonçalo Ferreira, Inês do Rosário, Diogo Gaspar Ferreira e a empresa Oceano Clube.

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