Freguesias desconhecem acordo anunciado pelo governo para a CGD

Governo falou em acordos com as freguesias para minimizar encerramento de balcões da CGD. Autarcas dizem não saber de nada

As juntas de freguesia afetadas pelo encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) desconhecem a alternativa avançada pelo governo, que disse no parlamento que já há acordos firmados com as próprias freguesias, para que estas cedam instalações para prestar serviços bancários que eram feitos nas agências do banco público.

"Ninguém falou connosco" foi a resposta unânime de 10 presidentes de Junta ouvidos pelo DN, e que viram os balcões da CGD encerrar nos últimos dias. Os autarcas queixam-se, aliás, que não foram contactados nem para isso, nem para nada - a maior parte soube do encerramento da agência da sua freguesia pelos jornais.

A semana passada, no parlamento, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, afirmou que "existem freguesias onde já houve acordo entre as freguesias e a própria Caixa para que nas instalações dessas freguesias sejam prestados os serviços" bancários. O DN pediu a lista dessas freguesias ao Ministério das Finanças, que remeteu a resposta para a Caixa Geral de Depósitos. Já a CGD relegou a questão para momento "oportuno".

Da parte dos autarcas, a versão contrária atravessa o país e as várias forças partidárias. Gualtar (Braga), Lordelo (Paredes), Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia), São Bernardo (Aveiro), Atouguia da Baleia (Peniche), Cucujães (Oliveira de Azeméis), Caranguejeira (Leiria), Souselas (Coimbra), Sobreda da Caparica (Almada) e Lavradio (Barreiro) - em nenhuma destas freguesias houve qualquer contacto para uma solução alternativa ao fecho dos balcões.

A lista completa de encerramentos da CGD contempla 61 agências, mas em muitos destes casos a questão da transferência de serviços para as juntas não se coloca por se tratar de balcões em grandes centros urbanos (caso de Lisboa, onde encerram oito agências). Descontando estas situações sobram cerca de 40 agências a fechar portas. Na ronda feita pelo DN, que abrange um quarto destas agências, não houve uma única exceção - não houve contactos, ninguém sabe de nada.

A existência de acordos com a CGD não é a única afirmação contestada por estes autarcas. Também no parlamento, o ministro das Finanças, Mário Centeno, garantiu que "existe um contacto muito próximo da administração da Caixa com os municípios e esperaria que dessa interação pudessem sair decisões que permitam que a missão pública da Caixa se possa fazer sentir". Os autarcas dizem uma coisa diferente. "Ninguém falou connosco rigorosamente nada. Gualtar foi abandonada pela CGD", diz João Nogueira, socialista que preside à Junta e que depois de ter escrito à CGD, até agora sem resposta, acusa o banco público de "prepotência e arrogância". "Foram-se embora, nem bom dia nem boa tarde. À Caranguejeira [Leiria], ninguém passou cavaco", diz também Joaquim Mónico, igualmente eleito pelo PS. "Soubemos pela comunicação social", corrobora Margarida Carvalho, eleita da CDU que preside à Junta da Charneca da Caparica e Sobreda, que chegou a reunir com responsáveis locais da CGD. Resultado: "Fecharam um dia mais cedo". "Soubemos por terceiros e nunca nos foi proposta qualquer alternativa", salienta também o independente Henrique Vieira, que preside à Junta de São Bernardo (Aveiro). "Lordelo nunca foi tido nem achado. É de uma enorme falta de respeito institucional", diz Fernando Serra, social-democrata que preside à Junta. Dário Silva, de Oliveira do Douro, diz o mesmo: "Soubemos pelos jornais. A comunicação formal foi feita em resposta a uma carta nossa". Na câmara de Almeida, onde a população ocupou a agência da CGD, também não há registo de propostas de soluções alternativas, de acordo com o vice-presidente, Alberto Morgado.

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