Enologia e microbiologia - um duo vencedor

Laboratório, em Lisboa, onde Rogério Tenreiro trabalha, está aberto a quem quiser testar as suas investigações

No laboratório onde Rogério Tenreiro trabalha cruzam-se várias investigações ao mesmo tempo. Desenvolve o seu trabalho na área da microbiologia no laboratório do edifício TecLabs da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e partilha o espaço e as tecnologias com as outras empresas aqui incubadas e investigadores. "O princípio é que se existe equipamento disponível é preferível que ele seja usado do que estar parado", aponta o investigador.

No espaço partilhado são várias as empresas que procuram soluções para os seus negócios e Rogério Tenreiro e a sua equipa têm respondido a esses desafios. No currículo estão sucessos como vinho e espumante produzido no laboratório. "Criámos leveduras para vinificação e temos orgulho de a Proenol ter aplicado a nossa técnica de levedura. Agora estamos a trabalhar num projeto para criação de vinagre através de soro de pimento", aponta. Não se incomoda de usar a sua ciência para as empresas, já que estas "ficam com o bichinho da transferência da tecnologia". Além disso, "ganhamos trabalho, direcionamos a nossa investigação para as empresas que cofinanciam e a investigação que fazemos é efetivamente útil".

O especialista em microbiologia não abdica no entanto de fazer a investigação de que gosta. "Se não estiver a trabalhar para nenhum projeto ou tiver tempo também faço as minhas investigações." O único limite que sente é na publicação de resultados. "Publicamos em revistas científicas de menor impacto e só quando a empresa entende que não estamos a revelar nenhum segredo." Em termos financeiros: em quatro a cinco anos "tivemos um financiamento de três milhões de euros", refere o investigador.

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