Em 1300 cursos, 37 dão emprego a todos os licenciados

Medicina e engenharia informática estão entre os cursos que dão mais garantias para recém-licenciados

Os alunos que daqui a um mês vão candidatar-se ao ensino superior sabem desde já que há apenas 37 cursos que não têm nenhum finalista desempregado. Da lista de 1380 formações disponíveis nas universidades e politécnicos há, no entanto, 50 que têm uma taxa de desemprego superior a 20%. No entanto, apesar de este ser um dos dados mais procurados pelos jovens na hora de escolher um curso, reitores e presidentes de politécnicos lembram que é preciso olhar para os números com cautela.

Entre os cursos que dão melhores garantias de lugar no mercado de trabalho estão, sem surpresa, Medicina, Matemática, Enfermagem e Engenharia Informática. Surgem, porém, no topo desta lista licenciaturas em áreas como Psicologia em Aveiro ou Línguas, Literaturas e Cultura no Algarve tradicionalmente associadas a maior desemprego. Este facto pode justificar-se por serem licenciaturas recentes com poucos diplomados (o do Algarve só tem 38), pela qualidade da formação ou simplesmente porque não há inscritos no centro de emprego.

Arquitetura e artes

No extremo oposto, com 20% ou mais de taxa de desemprego estão alguns cursos de Arquitetura, Serviço Social e outros da área de Artes Plásticas e Performativas. Ao todo, 52 cursos indicam ter taxa de desemprego de 20% ou mais. Há quase 200 para os quais não foram apresentados estes dados.

Esta percentagem apresentada pelo Portal é o rácio entre o número de diplomados do curso que se encontravam registados como desempregados no IEFP no final do ano passado e o número total de diplomados do curso no mesmo período (2010/11 e 2013/14). Ou seja, não contabiliza os ex-alunos desempregados que não se inscreveram nos centros de emprego.

Daí que os próprios reitores e presidentes de politécnicos aconselhem cautela quando se olha para estes dados. Um alerta feito pelos próprios estudantes.

Admitindo que não podem fugir destes dados, António Cunha, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), lembra que "as universidades também têm de fazer ofertas em que acreditam que são de futuro. Além disso, em alguns casos os dados de empregabilidade hoje são para cursos que só estão concluídos daqui a três ou cinco anos".

É a elevada probabilidade de falhar quando se escolhe um curso hoje sem saber como o mercado vai estar daqui a uns anos que Joaquim Mourato, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), também sublinha. "Os candidatos devem olhar para esta informação, mas ela não podem assentar uma decisão final neste indicador, porque ele é falível."

Do lado dos alunos, Daniel Freitas, da Federação Académica do Porto, acredita que "esta ferramenta toma uma posição importante, não pode condicionar a escolha do jovem". Embora ajude a "dar consciência do que pode esperar ao final do curso".

De acordo com as regras em vigor para a abertura de vagas nos cursos, as instituições de ensino superior públicas estão impedidas de aumentar o número de vagas em cursos cuja taxa de desemprego dos seus diplomados ultrapasse a média nacional (que no final de 2015 se situava nos 12,2%). Não podem também ultrapassar a taxa média de desemprego registada pela própria universidade ou politécnico. Os cursos com menos de dez alunos colocados nos últimos dois anos voltaram também a estar impedidos de abrir vagas.

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