"É essencial que o partido monitorize o cumprimento do programa de governo"

Ana Catarina Mendes é o rosto do "combate político" que António Costa que reforçar no PS. Foi eleita com 97% dos votos para o novo cargo de secretária-geral adjunta

Que significado prático tem este cargo de secretário-geral adjunto do PS para o qual foi eleita?

Significa dar vida ao partido, tornar o partido autónomo do governo, suportando o governo e estar cada vez mais mobilizado e forte. Espero estar à altura da responsabilidade que me foi confiada, unindo o partido, tornando-o mais coeso, mas, sobretudo, mais forte em termos de dimensão de conteúdo da mensagem política.

E como se faz para que o partido tenha, de facto, a sua autonomia, e não sirva de mera caixa de ressonância do governo?

Tive oportunidade de dizer nesta reunião, perante todos os membros da Comissão Nacional, como penso que deve ser feito. É essencial que o partido faça uma monitorização permanente do cumprimento do programa do governo e que haja também a produção de novas ideias. Temos um gabinete de estudos que pode ser bem aproveitado neste que é um novo momento do sistema político do país, para que o PS possa contribuir com conteúdos de qualidade para este debate político e ideológico mais intenso. A Fundação Res Pública (presidida por António Vitorino) é uma organização que deve ser revitalizada para participar nesta mobilização partidária.

E esta produção de novas ideias pode também envolver o BE e o PCP, enquanto partidos que apoiam o governo?

Não nos podemos esquecer das nossas principais declarações de princípios de sermos defensores radicais da democracia. Isso vale para o governo e para o partido, na defesa dos nossos ideias. Quanto à relação PS/BE/PCP, esta legislatura é extremamente desafiante nas transformações sociais que vão ser produzidas no âmbito da liderança de António Costa, mas igualmente exigente do ponto de vista parlamentar e partidário, com vista ao bom relacionamento com os partidos que apoiam esta alternativa de governo.

Vai ser no PS quem faz a ponte com o PCP e o BE?

Sim, claro. Da mesma forma como o tenho feito no parlamento juntamente com o meu camarada e presidente do PS, Carlos César.

A questão do défice foi suscitada na reunião da Comissão Nacional e é causadora de apreensão para o aparelho partidário? O ministro das Finanças, Mário Centeno, não deu garantias do cumprimento das metas, embora tenha sublinhado que o governo está a fazer todo o possível...

Não foi falado na reunião. Mas posso dizer que o partido está muito empenhado no sucesso deste governo para que possa ganhar essa etapa e os portugueses também possam ganhar. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para melhorar a vida dos portugueses.

O PS não sente que, tal como tem insistido a oposição, a realização de novas eleições, legitimaria politicamente o governo?

O PS está absolutamente tranquilo com todo este processo e muito satisfeito com o acordo estabelecido com os partidos de esquerda. O partido está empenhado em que, durante os próximos quatro anos, se possa transformar Portugal para melhor, cumprindo os compromissos internacionais que subscrevemos, devolvendo às famílias o rendimento que lhes foi cortado, apostando nas pequenas e médias empresas e gerando mais empregos em Portugal, empregos de qualidade.

A Ana Catarina Mendes é assumida apoiante de António Sampaio da Nóvoa para a Presidência da República. Esta semana este candidato e Maria de Belém, ex-presidente do PS, admitiram que "trocariam" votos caso fosse o outro a passar à segunda volta. Admite votar em Maria de Belém caso seja esta candidata a passar à segunda volta?

Com certeza que sim. Se for Maria de Belém a passar à segunda volta terá certamente o meu voto para ser Presidente da República.