Diretora-geral da Saúde defende uso de canábis para fins terapêuticos

Graça Freitas concorda com "tudo o que se puder fazer para que os doentes não tenham dor"

A diretora-geral da Saúde revelou que não tem qualquer objeção ao uso da canábis para fins terapêuticos. Em entrevista à TSF, Graça Freitas diz concordar com "tudo o que se puder fazer para que os doentes não tenham dor" e melhorem a sua situação. "E se de facto houver evidência científica, como parece que há, [canábis] usada terapeuticamente, eu não tenho nenhuma objeção".

A diretora-geral da Saúde relembrou ainda que muitas pessoas usam opiáceos, que "à partida seriam droga", mas que são utilizados de forma medicamente controlada para tirar a dor, sintomas incómodos e dar qualidade de vida às pessoas. "Nesse sentido, não tenho nenhum preconceito em relação ao uso da canábis, antes pelo contrário. Se é efetivo, se faz bem às pessoas, se se pode regular como um medicamento, pois estou de acordo".

Ontem, os projetos de lei apresentados no parlamento por BE e pelo PAN baixaram à comissão de Saúde sem votação; se não fosse uma negociação de última hora, provavelmente seriam chumbados pela conjugação dos votos contra de PSD, CDS, PCP e PEV. O problema central dos dois projetos - aquele que levaria ao seu chumbo, se tivesse havido votação - não é propriamente o uso terapêutico da canábis. Antes o facto de ambos preverem a possibilidade de um doente a quem seja prescrita a canábis como forma de tratamento não a comprar na farmácia mas antes cultivá-la em casa.

O PSD e o PCP, embora favoráveis - como BE, PAN, PEV e PS - ao uso terapêutico da canábis, são contra, radicalmente, a possibilidade do autocultivo. Portanto, canábis médica só na farmácia, sob a forma de medicamento. E por isso votariam contra (fazendo maioria com o CDS, que é contra tudo, autocultivo e utilização médica).

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