Damásio é suspeito de usar influência em favor de José Veiga

Contatos do antigo presidente do Benfica para ajudar José Veiga na compra do Banco Internacional de Cabo Verde estarão no centro das suspeitas

Manuel Damásio, antigo presidente do Benfica, é suspeito de utilizar a sua influência junto de decisores públicos em favor dos negócios de José Veiga. O agora empresário do ramo imibiliário foi, ontem, detido pela Polícia Judiciária no âmbito do processo "Rota do Atlântico", o mesmo que envolve José Veiga, preso preventivamente, e Paulo Santana Lopes, em prisão domiciliária. De acordo com informações recolhidas pelo DN, Damásio terá utilizado os seus contactos para auxiliar Veiga na compra do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV).

A operação foi, entretanto rejeitada pelo banco central cabo verdiano e pelo Banco de Portugal. Porém, no último ano, Manuel Damásio terá movido influências para que o negócio no interesse de José Veiga avançasse. Segundo dados recolhidos pelo DN, a Judiciária recolheu elementos desse alegado tráfico de influências, o qual pode envolver decisores públicos e gestores de bancos. O antigo ministro Miguel Relvas poderá estar neste rol. O seu nome já foi citado no processo e consta como uma das pessoas com quem o arguido Paulo Santana Lopes está proibido de contatar por ordem judicial.

Manuel Damásio, que ontem foi ouvido em primeiro interrogatório judicial pelo juiz Carlos Alexandre, é ainda suspeito do crime de branqueamento de capitais. Aparentemente, o antigo presidente do Benfica terá facilitado a entrada de José Veiga na sociedade que gere o Atlântico Estoril Residence, uma situação que, segundo o Ministério Público, terá feito com que José Veiga, através de uma offshore, conseguisse branquear dinheiro.

A parceria com Manuel Damásio não terá sido a única forma de José Veiga introduzir no circuito financeiro os milhões ganhos na República do Congo. A compra de viaturas de luxo também consta como uma das suspeitas. E, para lém da entrada na sociedade gestora do Atlântico Estoril Residence, o antigo empresário de jogadores de futebol também terá comprado dois apartamentos, os quais lhe terão custado sete milhões de euros.

Nas primeiras buscas efetuadas na "Operação Atlântico", a Judiciária também encontrou 8 milhões (quatro em dólares, outro tanto em euros) em numerário numa casa de José Veiga, em Cascais.

Por sua vez, Paulo Santana Lopes surge ligado ao processo como angariador de negócios para Veiga. Este empresário terá começado a colaborar esporadicamente com Veiga em negócios no continente africando, passando a funcionar como uma espécie de braço direto do antigo dirigentes desportivo. Ambos, aliás, estabeleceram as respetivas residências fiscais na República do Congo. País onde José Veiga é identificado como o "feiticeiro branco" do presidente Denis Sassou Nguesso.

Com uma economia assente, essencialmente, na exportação de petróleo, a República do Congo foi, nos últimos anos, um poço de rendimentos para José Veiga, que tinha, aliás, uma procuração do presidente para negociar concessões. Ao mesmo tempo, Veiga investiu naquele país, criando empresas, chegando a tentar criar um banco de raiz: o Banco Internacional Africano. Projeto este que claudicou, o que levou à operação de compra do BICV.

No tempo do salário mínimo

Para a PJ, Manuel Damásio, é um "empresário da contrução civil", de 75 anos. Mas para a maior parte dos portugueses ele é mais conhecido por ter sido presidente do Benfica entre 1994 e 1997.

Foi um líder consensual e fez disprara o número de sócios dos 83 mil para 150 mil. Herdou um passivo enorme, que tentou combater com o patrocínio da Parmalat. Negociou mais de 100 jogadores em três épocas. Nelo, Tavares, Paulo Nunes, Donizete foram alguns deles, mas não quis pagar por Jardel e viu-o ir parar ao FC Porto. Não teve sorte na escolha dos treinadores (Artur Jorge, Paulo Autuori, Manuel José...) e saiu sem glória nem títulos.

Nessa altura, em 1997, o extinto "Tal e Qual" publicou a folha de IRS de Damásio, que declarou receber apenas o salário mínimo. Em 2015, voltou a ser notícia por ser dono da casa mais cara do país, no valor de 15 milhões de euros, na Quinta da Marinha, embora tenha residência fixa na suíte do Hotel Intercontinental do Estoril. Foi na Luz que conheceu o antigo empresário de futebol, tendo mantido uma relação de amizade e de negócios mais trade no Estoril Sol. E até hoje. Em 2004, depois de Veiga assumir o cargo de diretor geral da SAD encarnada disse que ele era "o homem ideal para o Benfica".

Quando deixou a presidência do clube da Luz e dedicou-se ao imobiliário. Um dos empreendimento mais famosos foi o Atlântico Estoril Residence, onde Jorge Jesus comprou uma casa em 2015, por quatro milhões de euros.

Mantém um camarote no Estádio da Luz e costuma ir aos jogos do Benfica. E todas as primeiras terça-feira de cada mês janta com os antigos dirigentes do clube da sua presidência. A passada terça-feira não foi execção. Amigos ouvidos pelo DN notaram-no "mais stressado do que o habitual".

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