Costa quer Índia, Brasil e país africano no Conselho de Segurança da ONU

Primeiro-ministro reitera apoio à reforma defendida por Guterres e ouve homólogo indiano elogiar os nossos resultados económicos

António Costa defende a inclusão da Índia no conjunto de membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). "O mundo de hoje exige a presença no Conselho de Segurança como membros permanentes de países como a Índia, o Brasil e um grande país africano", afirmou o primeiro-ministro em Nova Deli, na Índia, após a cerimónia de assinatura de seis protocolos de cooperação económica entre os dois países.

António Costa disse "estar certo de que, sob a liderança de António Guterres, as Nações Unidas darão um contributo decisivo para que a comunidade mundial possa enfrentar com maior sucesso os desafios que tem pela frente, desde as alterações climáticas aos desafios da segurança, nomeadamente a prevenção e o combate ao terrorismo", mas acrescentou: "Para que a ONU tenha esse papel, tem de ser o espelho do mundo de hoje, que já não é o do pós-guerra em que as Nações Unidas nasceram."

O primeiro-ministro sublinhou o desenvolvimento recente da economia indiana, destacando que "a Índia é hoje a economia mais dinâmica e a que mais cresce, e será seguramente uma das grandes potencias do século XXI". "É por isso que entendemos que tem de ter um novo papel no mundo global", acrescentou António Costa.

Seis protocolos em seis áreas

As palavras de António Costa caíram bem junto do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que não poupou elogios ao governo português, cumprimentando o chefe do executivo nacional "pelos vários sucessos que Portugal conseguiu sob sua liderança", e afirmando mesmo que "a economia portuguesa está a ir na direção certa, percorrendo um caminho sólido".

O primeiro dia da visita de Estado de António Costa à Índia fica também marcado pela assinatura de seis protocolos em seis setores: defesa, agricultura, pesquisa marítima, energias renováveis, eletrónica e tecnologias de informação, e ainda a criação de uma cadeira de estudos indianos na Universidade de Lisboa.

Os memorandos de entendimento não preveem resultados definidos nem estabelecem metas concretas, e a maior parte não explicita ainda quais as medidas a tomar.

Uma exceção é o protocolo no setor das tecnologias de informação, que estabelece a "cooperação entre instituições do setor público e privado de ambos os países, em domínios como o e-learning, a telemedicina ou a cibersegurança", e prevê a "implementação de projetos conjuntos, a participação em conferências, visitas de estudo e intercâmbio de peritos", além da "investigação, desenvolvimento e inovação entre as instituições do setor público e privado, através de projetos colaborativos".

Uma camisola de Ronaldo

O protocolo incluiu uma troca de presentes entre os dois chefes de governo. Narendra Modi ofereceu a António Costa uma cópia em inglês de O Signo da Ira, livro escrito por Orlando Costa, pai do primeiro-ministro, que respondeu oferecendo a Narendra Modi uma cópia da primeira edição da mesma obra em português. Mas o momento alto estaria para depois: furando o protocolo estabelecido, António Costa tinha um presente extra: uma camisola do número 7 da seleção assinada por Cristiano Ronaldo.

Enviado especial DN/TSF

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