Costa: "Provámos que é possível fazer diferente"

Líder do PS fez elogio à "coragem" dos partidos que assinaram posições conjuntas com socialistas. E congressistas aplaudiram

O secretário-geral do PS, António Costa, deixou esta sexta-feira noite à um elogio à "coragem" dos partidos que assinaram as posições conjuntas com os socialistas, recebendo um aplauso dos delegados ao 21.º Congresso do PS, que decorre na FIL, em Lisboa, até domingo.

"Nem há pacto nem há agressão", defendeu, recuperando as palavras de Jerónimo de Sousa, o líder comunista, sobre eventuais "pactos de não-agressão" entre o PS e o PCP. "Conseguimos demonstrar que muito daquilo que parecia impossível era afinal possível. É possível governar na normalidade constitucional", insistiu, apontando que é possível "um relacionamento institucional adequado" entre órgãos de soberania. "Provámos que é possível fazer diferente", sintetizou.

Na metade final do seu discurso de abertura do conclave socialista, António Costa afirmou que "um PS refém da direita é um PS que não cumpre a sua missão e a sua missão é assegurar aos portugueses de que há uma alternativa à direita". Era mais um recado para os críticos da solução governativa encontrada pelo líder socialista. Que completaria recordando que esta estratégia foi sufragada pelos vários órgãos do partido.

E regressou a 30 de novembro de 2014, à sessão de encerramento do 20.º Congresso, quando defendeu que era tempo de romper com o discurso do "arco da governação. "Que fique claro: não excluiremos os partidos à nossa esquerda da responsabilidade de serem partidos de solução e não apenas partidos de protesto", leu Costa num bloco-notas.

"Fomos capaz de superar as diferenças para nos entendermos no que era fundamental: virar a página da austeridade", sublinhou. Para logo saudar BE, PCP e PEV "pela forma leal e construtiva" como em conjunto com o PS "têm sabido superar dificuldades". E ironizou com uma farpa: "Tanta gente que apela aos consensos e ri destes consensos à esquerda, como se só houvesse bons consensos com a direita."

No fecho da sua intervenção, ecoou na FIL a canção de Craig Armstrong, Prime-Minister's Love Theme ("canção de amor do primeiro-ministro"), da banda sonora do filme O Amor Acontece.

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