Costa não nega tensão com Marcelo e responde: "Tenho nervos de aço"

Primeiro-ministro está certo de que será retomado "excelente esforço de cooperação institucional" com o Presidente

António Costa falou esta sexta-feira sobre a tensão do Governo com Belém, na sequência do discurso crítico do Presidente sobre a atuação do Governo durante e após os grandes incêndios de Pedrógão, em junho, e do norte e centro do país, em outubro.

De visita a Vila Nova de Poiares, o primeiro-ministro não negou que se atravessa um momento conturbado entre S. Bento e Belém, mas respondeu dizendo que, tal como o Marcelo o descreve, é um "otimista, às vezes irritante", e portanto tem "a certeza" de que será retomado o "excelente esforço de cooperação institucional. Antes, ironizara: "Tenho nervos de aço".

"Acho que aquilo de que o país precisa é que os órgãos de soberania continuem a fazer o que têm feito ao longo destes dois anos, que é ter uma cooperação exemplar entre si, contribuindo para um bom relacionamento institucional, porque esse tem sido um dos fatores mais importantes da motivação dos portugueses", sublinhou António Costa, citado pela agência Lusa.

"É isso que o país deseja. É isso que o país espera e tenho a certeza que aquilo que tem corrido bem nestes dois anos não vai deixar de correr bem nos próximos anos", disse o primeiro-ministro.

Já esta sexta-feira, questionado pelos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa, que está nos Açores, disse que "sobre essa matéria, o que tinha a dizer está dito". Marcelo Rebelo de Sousa evitou todas as perguntas sobre o recente desencontro entre Belém e São Bento à volta da questão dos incêndios e dos choques em cada palácio com o discurso do outro. O Presidente evitou mesmo uma questão direta sobre se este era, para ele, um assunto encerrado.

A única cedência a esta estratégia de acalmia foi uma frase sobre as declarações do novo ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita disse hoje que "Portugal não admitirá que nos dividamos em torno desta tragédia". Era tudo o que o Presidente queria ouvir, como que um balde de água para apagar um pequeno incêndio. "É exatamente o que eu tenho dito", afirmou Marcelo, "tenho apelado a um consenso, a um pacto, a uma convergência de regime sobre essa matéria. Portanto, se for possível haver essa convergência sobre o plano de emergência, sobre a solução que vier a ser adotada - o mais rápido possível, mas devidamente estudada -, sobre a prevenção e combate e também sobre a floresta, eu acho que isso era muito bom para o país".

Questionado sobre se algo tinha mudado no papel do Presidente nesta "nova fase" - o próprio tinha afirmado à chegada aos Açores que o país político vive agora uma nova fase, depois da rejeição da moção de censura apresentada pelo CDS -, Marcelo sublinhou que o Presidente da República está onde sempre esteve, "com o mesmo mandato, com os mesmos poderes, com a mesma leitura desses poderes e com as mesmas exigências". Quais? Procurar: "compromissos nacionais de regime, que o governo seja forte e governe, e que dure toda a legislatura, que a oposição seja forte e constitua uma alternativa para o caso dos portugueses, no momento das eleições, quererem escolher uma outra solução de governo". Para quem tenha dúvidas, o Presidente sublinha: "Foi assim, é assim, será assim. Eu não mudo. Por detrás de uma aparência de uma pessoa muito serena e tranquila, sou muito determinado naquilo que são as linhas do mandato, que aliás corresponde àquilo que recebi dos eleitores, com base no que me comprometi a fazer na campanha eleitoral. Não vai haver mudanças".

Com Lusa

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