Conferência. Críticas ao Centro Nacional de Cibersegurança

O ex-secretário de Estado socialista, José Magalhães, alertou para a necessidade de reforçar os meios de defesa contra os ciberataques

Uma estrutura demasiado reduzida, onde faltam técnicos qualificados e meios tecnológicos, com instabilidade de direções, colocada numa "barriga de aluguer" desadequada. Foram estas as críticas disparadas por ex-secretário de Estado da Justiça e da Administração Interna, José Magalhães, contra o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCseg). Este organismo, criado em outubro de 2014, é responsável por "antecipar, detetar e reagir" a ciberataques que ponham em causa "funcionamento dos organismos do Estado, das infraestruturas físicas e dos interesses nacionais" e está a funcionar das instalações do Gabinete Nacional de Segurança (GNS), por decisão do anterior governo.

No âmbito de uma conferência, organizada pela LIDE Portugal (associações de líderes empresariais) que decorreu na manhã de quarta-feira no Forte de . Julião da Barra, Oeiras, José Magalhães, que no governo de José Sócrates foi responsável por um vasto programa de modernização tecnológica, não escondeu a sua apreensão com estado do CNCseg. "Tem sido um quebra-cabeças o nosso Centro Nacional de Cibersegurança. Nasceu numa barriga de aluguer que é o GNS e cuja matriz de segurança não é a que se quer para este tipo de estrutura, tem uma direção com competências limitadíssimas, a sua implementação foi extremamente lenta, a que se juntou alguma instabilidade dirigente (o primeiro diretor demitiu-se), tem um défice enorme de quadros qualificados e, como se não bastasse, uma capacidade em termos de meios muito reduzida, em comparação com as Forças Armadas".

No encontro, cujo debate se centrava na cibersegurança, não estava entre os oradores nenhum representante do Centro.

A Polícia Judiciária (PJ) foi representada pelo responsável da Unidade Nacional de Investigação do Cibercrime, Carlos Cabreiro, que destacou a discrepância entre as capacidades de movimentação dos criminosos no ciberespaço e a dificuldade dos investigadores em chegarem aos autores dos crimes. "Caminhamos em sentidos opostos quando estamos a falar de cibersegurança e de tecnologia. Em termos legais não somos capazes de acompanhar a evolução tecnológica que permite aos cibercriminosos utilizarem a net livremente, com garantias cada vez mais fortes de anonimato, promovidas pelas próprias empresas que fornecem esses serviços", afirmou este inspetor-coordenador da PJ.

A GNR foi a força de segurança representada, ao mais alto nível, pelo Comandante de Operações, major-general Rui Moura. Salientou todo o trabalho que a Guarda tem desenvolvido, desde a prevenção e a sensibilização junto à população, através de iniciativas que tem realizado em centena de escolas, até à monitorização da internet para fins de investigação criminal e respetiva recolha de provas. "A GNR encontra-se neste momento a potenciar sua ação em três eixos: a formação e consciencialização, a proteção de infraestruturas críticas e o alerta e resposta a ciber-incidentes", referiu Rui Moura.

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