Comandante operacional da GNR bate com a porta

O major general Rui Moura estava na GNR desde 2011 e era considerado um dos "mais brilhantes" oficiais do Exército

O major-general Rui Moura, comandante operacional na GNR, demitiu-se. Este oficial superior do Exército estava na Guarda há seis anos e era responsável por toda a coordenação da atividade operacional desta força de segurança, pela investigação criminal, informações, proteção da natureza e missões internacionais. Discordância com as promoções decididas pelo Exército, que excluíram este oficial, conhecidas na última semana, motivaram a sua decisão de deixar a Guarda. Moura informou esta semana o comandante-geral, Manuel Couto, que antecipava a sua passagem à reserva, que só deveria acontecer em abril. "Confirmo a decisão, mas não presto mais declarações", afirmou ao DN, quando contactado no final da tarde de sábado.

A saída de Rui Moura eleva para três as vagas para oficiais generais na GNR. Neste momento há dois generais a acumular funções e este ano passam à reserva mais dois. A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que tem defendido a promoção a general de coronéis da GNR sem o exigido curso da Academia Militar, indicou anteriormente que não tinha intenção de colocar mais oficiais generais das Forças Armadas na GNR.

Ao que o DN apurou, Rui Moura tinha expetativa de ser promovido a tenente general, primeiro porque havia uma vaga para esse posto na GNR - o próprio cargo que ocupava desde maio de 2016 e que a lei orgânica diz que tem de ser preenchido por um general de topo - depois porque era dos oficiais generais melhor classificados do Exército. Contudo, segundo fontes próximas, ficou no inicio da semana a saber que tinha sido ultrapassado por outro major-general, Tiago Vasconcelos, que era o segundo comandante do quartel-general do Corpo de Reação Imediata da NATO em Valência, Espanha. Conforme já noticiou o DN, este oficial, que foi ajudante de campo do ex-governador de Macau Rocha Vieira, deverá ser promovido a tenente-general (três estrelas) e, segundo fontes militares, ser colocado no Estado-Maior General, onde vai abrir uma vaga com a saída do adjunto do Chefe de Estado-Maior -General das Forças Armadas (CEMGFA).

Fontes próximas do general assinalaram ao DN que apesar de ser sabido que Moura deveria ser promovido para ocupar o cargo de comandante operacional, nunca houve nem da tutela (ministério da Administração Interna), nem do CEMGFA nenhum sinal de interesse nem nenhuma conversa para esse efeito. "O general Moura gosta que as coisas sejam claras e neste caso foram muito opacas. Não houve respeito aos 40 anos de uma carreira de qualidade sem igual", confidenciou uma dessas fontes, um general que já trabalhou com Rui Moura. "É pena que se perca um dos oficiais mais brilhantes do Exército e que tanto podia ainda dar à GNR", acrescentou.

Um "ranger" que baralhou os americanos

Rui Moura tem 55 anos e entrou na GNR pela mão do anterior comandante-geral Luís Newton Parreira, que o conhecia há vários anos e, em círculos mais fechados da hierarquia, o apresentava como o "CR7" das Forças Armadas. Era conhecida a história de como, nos tempos da Academia Militar, foi o único cadete a alcançar a nota máxima de 100% nos testes psicotécnicos, obrigando a equipa de norte-americanos, responsáveis pelas provas, a vir a Portugal conhecer o "cromo" e a fazer novos teste, nos quais teve de novo 100%.

É licenciado em Engenharia de Sistemas e tem uma pós-graduação em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas, no Instituto Superior Técnico. Tem vários livros escritos.

Está habilitado com o curso Top Senior Police Officers, entre diversas outras formações especiais, como a de Oficial de Infantaria (Basic e Advanced), de Rangers e de Paraquedismo, do Exército dos Estados Unidos da América, nos quais foi sempre o primeiro classificado. Recebeu ainda vários louvores: grau de Oficial da Ordem Militar de Avis, Medalha de Serviços Distintos, Medalha de Mérito Militar, medalha D. Afonso Henriques - Patrono do Exército, medalha de Comportamento Exemplar (graus Ouro e Prata), Medalha Comemorativa de Comissões de Serviço Especiais (duas) e a Medalha de Ouro de Serviços Distintos de Segurança Pública.

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