BE concorda com reinvenção do país mas adverte para necessidade de consolidar economia

Reação ao discurso de ano novo do Presidente da República

O BE concordou hoje com o Presidente da República sobre a necessidade de Portugal se reinventar, percebendo em que medida o Estado falhou na questão dos incêndios, mas sublinhou a necessidade de consolidar o caminho económico percorrido.

"No que diz respeito, estritamente, à questão dos incêndios, é necessário perceber onde é que o Estado falhou. E o Estado falhou. É preciso retirar lições, não apenas pondo em prática aquelas que foram as leis aprovadas para o ordenamento do território e da floresta, mas também investir a sério no interior, investir a sério na proteção civil. Aí, creio, que poderemos estar a falar de um cenário de reinvenção", disse hoje a eurodeputada do BE Marisa Matias.

A antiga candidata a Presidente pelo Bloco, que falava na sede do partido, em Lisboa, reagia assim à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Pagámos uma fatura muito cara, muitas pessoas perderam a vida, a suas propriedades e os seus rendimentos e isso exige uma certa dose de reinvenção. Quanto mais não seja, no sentido de tentar voltar a colocar os serviços públicos de onde eles nunca deveriam ter saído", disse a dirigente bloquista.

Marisa Matias reiterou que o Bloco considera que Portugal desmantelou a rede de serviços públicos e "os incêndios mostraram, da forma mais dolorosa, a falta que esses serviços públicos fizeram".

"Mas, creio que há outra palavra para o próximo ano, não é apenas a reinvenção, que é a consolidação. A consolidação do caminho económico e social que está a ser feito, mas que falta ainda chegar a tanta gente (...). Estamos num país de salários baixos, de pensões baixas, em que é preciso investir nos serviços públicos. Um país com muita precariedade, muita pobreza, muita desigualdade, por isso é preciso consolidar o caminho que está a ser feito", salientou Marisa Matias.

A eurodeputada do BE disse ainda que a análise de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o percurso económico percorrido por Portugal no último ano "é uma analise correta".

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