Atentado a Paris foi ato legítimo de guerra, diz fundador do MRPP

O ataque "não foi cometido por islamitas, mas sim por jiadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo"

O fundador do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), Arnaldo Matos, defendeu num editorial publicado este sábado no portal Luta Popular que os atentados de Paris, realizados por apoiantes do Estado Islâmico, foram um ato legítimo de guerra em resposta ao imperialismo francês.

O antigo dirigente do PCTP/MRPP acusou ainda de hipocrisia o Partido Comunista Marxista Leninista Francês, que condenara, em comunicado, os atentados terrorista.

No editorial, Arnaldo Matos descreve os ataques a Paris como "um ato legítimo de guerra", por oposição a um massacre, que "não foi cometido por islamitas, mas sim por jiadistas [sic], isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês".

Para o antigo dirigente do PCTP/MRPP, o ataque a Paris foi uma reação ao imperialismo francês, e concretizou "uma pesada e demolidora derrota ao maior exército" da Europa, sublinhando que "o cobarde e terrorista imperialismo francês", aliado ao dos restantes países europeus, foi responsável por massacres em países como o Mali, Chade, Líbia e Iraque.

Arnaldo Matos sublinha que o ataque ocorreu em Paris e não em Lima, Quito ou Havana, capitais de regimes comunistas. Aproveita para criticar o Partido Comunista Marxista Leninista Francês, por ter abandonado "a revolução proletária, o comunismo e a classe operária" ao condenar os atentados de Paris como um massacre cometido pela lógica do terror.

O Partido Comunista Marxista Leninista Francês, um partido menor em França que é separado do mais conhecido Partido Comunista Francês, descrevera num editorial de 14 de novembro no seu portal http://lesmaterialistes.com/ que o fanatismo dos terroristas se devia à "base feudal ainda existente na maior parte dos países do mundo".

"Pois é: os marxistas-leninistas-maoistas de França abandonaram a revolução proletária, o comunismo e a classe operária, e trocaram tudo isso por uma revolução democrática, que a vossa burguesia já fez - e bem feita! - em França, em 1789!...", escreve Arnaldo Matos.

Arnaldo Matos, nascido em 1939, foi um dos fundadores do PCTP/MRPP, então apenas MRPP. Deixou o partido em 1982, mas permanece ligado a ele. O PCTP/MRPP obteve mais de 50 mil votos nas eleições legislativas de 2015, com uma lista liderada por António Garcia Pereira.

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