Associação de clientes desconhece se acusação abrange todo o processo BPP

O presidente da Privado Clientes, associação de clientes do Banco Privado Português (BPP), Jaime Antunes, disse não estar claro se a acusação do Ministério Público, hoje conhecida, "se refere ao BPP no geral ou ao caso específico da Privado Financeiros".

"Ainda não percebi a que se refere [esta acusação]: se se refere ao BPP em geral ou a um caso específico de uma empresa chamada Privado Financeiras, porque fala-se num aumento de capital em 2008 e o BPP, em 2008, não fez nenhum aumento de capital. Quem fez foi a empresa Privado Financeiros, que foi o veículo que o BPP constituiu para intervir na guerra do BCP", explicou Jaime Antunes, em declarações à agência Lusa.

"Suponho que estamos a falar deste caso em específico e não do caso do BPP em geral", disse ainda Jaime Antunes, acrescentando que "esta decisão significa que, na opinião do Ministério Público, há crime nesse aumento de capital e, a ser assim, é natural que os responsáveis pelos prejuízos sejam presos".

Lamentando "a lentidão da justiça" neste processo, o presidente da Privado Clientes reiterou que "é fundamental que os responsáveis pelos prejuízos sejam responsabilizados", até para que "os clientes possam ter acesso ao processo na sua forma final, para perceberem e terem instrumentos para acionar instrumentos juridicamente".

O Ministério Público acusou hoje João Rendeiro, Fezas Vital e António Paulo Guichard, ex-administradores do BPP, por um crime de burla qualificada, em coautoria, disse à agência Lusa fonte ligada ao processo.

Uma nota hoje emitida pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa refere que a investigação, iniciada em fevereiro de 2010, foi concluída na sexta-feira, com a acusação formulada aos três ex-administradores do BPP.

O processo relaciona-se com uma operação de aumento de capital, realizada no veículo de investimento "Privado Financeiras", em 2008, e em causa estão os prejuízos, no valor de quase 41 milhões de euros, para cerca de uma centena de queixosos.

Em investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa encontram-se outros processos relacionados com o BPP.

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