Voto de pesar unânime pela morte de Maria Isabel Barreno

No voto de pesar de Maria Barreno lê-se que Portugal perdeu uma investigadora e escritora de relevo

O parlamento aprovou esta sexta-feira por unanimidade um voto de pesar pela morte de Maria Isabel Barreno, lembrando a "investigadora e escritora de revelo" e uma das mais "icónicas feministas da história portuguesa recente".

"Portugal perdeu uma investigadora e escritora de relevo, mas também uma das mais icónicas feministas da história portuguesa recente, cuja memória importa homenagear pelo importante papel que desempenhou na afirmação da igualdade e pelos direitos das mulheres", lê-se no voto de pesar pela morte de Maria Isabel Barreno, que faleceu no dia 3 de setembro, aos 77 anos.

No texto, apresentado pelo PSD, PS, BE, CDS-PP e PCP, é lembrada a carreira de Isabel Barreno, que se licenciou em Ciências Histórico- Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial, foi jornalista e conselheira na área cultural da embaixada portuguesa em Paris.

"Desde muito cedo descobriu o gosto pela leitura e começou por escrever poesia, que nunca chegou a publicar. Da vasta obra publicada constam trabalhos de investigação sociológica como a Adaptação do Trabalhador de Origem Rural ao Meio Industrial Urbano, romances e contos, muitos deles premiados. O seu livro de contos Os Sensos Incomuns recebeu o prémio Camilo Castelo Branco e o galardão do Pen Club. Já ao seu romance Crónica do Tempo foi atribuído o prémio Fernando Namora", é recordado.

Maria Isabel Barreno, é ainda referido, era também uma mulher dedicada à causa feminista e à defesa dos direitos das mulheres.

"Com o livro escrito em coautoria com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa que Maria Isabel Barreno se afirmou como uma figura incontornável da história feminista portuguesa. Publicado em pleno regime fascista, o livro Novas Cartas Portuguesas atravessou fronteiras e desmascarou as opressões da ditadura e a condição da mulher na sociedade portuguesa", lê-se no voto.

O livro, considerado "imoral e pornográfico", foi censurado pelo regime e tornou-se o mote de um processo em Tribunal que viria a durar dois anos e que ficou conhecido como o caso "Três Marias".

"A Assembleia da República, reunida em plenário, expressa o mais profundo pesar pela morte de Maria Isabel Barreno e endereça à sua família e amigos as suas mais sentidas condolências. Exprime igualmente aos movimentos feministas portugueses e à sociedade portuguesa a convicção de que a coragem, a determinação e a justiça das causas feministas defendidas por Maria Isabel Barreno permanecerão vivas e continuarão a servir de inspiração para o aprofundamento dos direitos das mulheres", é referido no voto de pesar.

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