Arsenal distingue 71 trabalhadores há quatro décadas na empresa

Estaleiros do Alfeite estão a celebrar 78 anos de existência como empresa de construção e reparação naval.

A empresa pública Arsenal do Alfeite (AA) condecorou esta quarta-feira 71 trabalhadores com 40 ou mais anos ao seu serviço, informou fonte oficial.

A cerimónia decorreu a seguir ao almoço de convívio com que a administração e os funcionários celebraram os 78 anos de vida da empresa de construção e reparação navais, adiantou a empresa ao DN.

"O Arsenal expressa a sua gratidão a todos aqueles que, ao longo do tempo, com o seu trabalho, dedicação e empenho, contribuíram para elevar o prestígio e o bom nome do estaleiro", que está a reparar mais um navio da Armada marroquina desde o final de março (e até julho), referi a empresa em comunicado.

Note-se que o Arsenal do Alfeite vai passar a reparar os submarinos da Marinha a partir de 2018 (e futuramente de outros países), tendo funcionários a receber formação para o efeito nos estaleiros alemães de Kiel há várias semanas.

Os estaleiros do Alfeite, fundados a 3 de maio de 1939 e onde durante anos funcionou uma escola de formação própria, têm presentemente 510 funcionários.

Após uma década de interrupção no domínio da construção naval, a empresa assinou em fevereiro um contrato para o fabrico de duas lanchas salva-vidas da classe Vigilante II, que serão uma versão modernizada do primeiro modelo ali fabricado em meados dos anos 2000.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.