Ainda não há responsáveis por fuga recorde em Portugal

O luso-israelita Joaquim Matos já escapou da cadeia de Caxias há dez meses. A sua extradição está a ser analisada em Israel. Ainda está por encontrar quem o ajudou na evasão

O preso número 348 da cadeia de Caxias, o luso-israelita Joaquim Bitton Matos, está em fuga há mais de dez meses, alegadamente a viver em Israel, em casa de familiares. Uma evasão que já é a mais longa dos últimos três anos e para a qual ainda não foram apuradas responsabilidades, apesar de o fugitivo - que estava em prisão preventiva pela suspeita da autoria de roubos a clientes de casinos, extorsão e tráfico de drogas - ter escrito na sua página no Facebook que tinha pago cem mil euros a quatro guardas prisionais (25 mil a cada).

Portugal apresentou um pedido de extradição em nome de Joaquim Bitton Matos à justiça israelita, em julho, cinco meses depois da evasão (a 19 de fevereiro de 2017), e este estará neste momento em fase de análise, segundo disse ao DN fonte governamental. Apesar de não haver acordo de extradição entre Portugal e Israel, o pedido pode ser julgado. Em resposta ao DN, a Procuradoria-Geral da República adiantou que "o pedido de extradição foi apresentado oportunamente, sendo a respetiva base legal a Convenção Europeia de Extradição, de que Portugal e Israel são Estados-parte. Não é necessária a existência de acordo bilateral porque a convenção constitui base suficiente". Enquanto os dois companheiros de evasão de Caxias, de nacionalidade chilena, foram recapturados no aeroporto de Madrid um dia após a fuga, o Joaquim escapou para Israel, onde se encontrará.

"Avaliadas as evasões e recapturas dos últimos três anos, o recluso evadido do Estabelecimento Prisional de Caxias é aquele que se encontra há mais tempo evadido e o único que está, ainda, por recapturar", reconheceu, em resposta ao DN, a Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais (DGRSP).

Jakob (alcunha por que também é conhecido) admitiu, em declarações ao semanário Sol, a 3 de junho, ter pago 25 mil euros a cada um dos quatro guardas que o ajudaram a escapar da cadeia. Nunca explicou a origem do dinheiro. "Paguei para conseguir fugir da prisão de Caxias e tive o privilégio de gravar a fuga. Dentro daquela espelunca paguei a quatro guardas para fecharem os olhos", afirmou.

Mas, quase onze meses depois da evasão, ainda não foram apuradas eventuais responsabilidades disciplinares de guardas prisionais nesta fuga, uma vez que o Serviço de Auditoria e Inspeção das prisões não concluiu o processo. Em simultâneo, também ainda decorre a investigação no âmbito do inquérito crime, a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária. "A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais informa que o Serviço de Auditoria e Inspeção tem a correr, nos termos da Lei Geral dos Trabalhadores em Funções Públicas, um processo de inquérito. A investigação tem sido efetuada em colaboração com a Polícia Judiciária. Nesta medida, tem-se acompanhado as diligências que ali estão a ser efetuadas, a fim de evitar a sua duplicação e que se danifiquem provas. Estando este processo a decorrer é inoportuno avançar com outras informações", respondeu a DGRSP ao DN. O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional apelou há meses à direção das prisões para que divulgue o resultado do processo disciplinar.

Jakob tem, por várias vezes, provocado as autoridades através do Facebook. Chegou a publicar um vídeo a exibir o método que usou para escapar da cadeia e cortar as grades. Enviou ainda um "um abraço aos irmãos de Caxias" e "saudações aos bananas da PJ". "Estou à vossa espera", acrescentava. Atualmente, na sua página tem uma foto de um indivíduo a provocar a polícia de choque e dois vídeos de música rap com a dedicatória "PJ" e "348" (o seu número de preso).

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