A insinuação de Passos. "Ministro parece que representa outros interesses"

Líder do PSD tem dúvidas de que Tiago Brandão Rodrigues seja "mesmo ministro da Educação".

Passos Coelho criticou, ontem durante o jantar que assinalou, na Alfandega do Porto, o 42.º aniversário do PSD, a política de educação do Governo socialista e insinuou que Tiago Brandão Rodrigues representaria "outros interesses" alheios.

Ao referir-se ao ministro da Educação, o líder do PSD ironizou sobre a pasta de Tiago Brandão Rodrigues: "Formalmente ministro da Educação, porque, na prática, começamos a ter dúvidas que seja mesmo ministro da Educação", disse.

E acrescentou: "Parece que ele representa outros interesses que não são os da comunidade".

Para Passos Coelho, "só a cegueira ideológica da maioria" explica a medida, pelo que concluiu que esta questão "chega a ser paradoxal, para quem defende o interesse público".

Passos Coelho apontou que "são os alunos mais carenciados que vão pagar a fatura", uma vez que esses, disse, "não podem ir para as escolas privadas a quem o Estado poderia pagar um preço mais favorável que aquele que gasta na escola do Estado".

"Se são os alunos mais carenciados, aqueles que mais podem ser prejudicados, aonde está a justiça social desta decisão? Ver a esquerda radical a ofender os interesses dos mais carenciados, não pode deixar de representar uma ironia que, no entanto, não nos dá grande prazer constatar", referiu.

Sempre focado na mensagem de que o PSD está disponível para analisar as políticas públicas, o líder dos sociais-democratas defendeu que "há hoje forças políticas que acham que, em nome das políticas públicas, se pode fazer engolir pela goela abaixo a solução que é fabricada por um determinado Governo ou Ministério".

"Não são os políticos que escolhem pelas pessoas. É cada um de nós que tem o direito a poder escolher o que melhor prefere", vincou, numa intervenção que contou ainda com um momento que roubou algumas gargalhadas da audiência, quando o presidente do PSD, ao querer dizer a palavra "aniversário", repetiu duas vezes "adversário".

O presidente do PSD acusou a maioria que suporta o Governo de ter uma "atitude arrogante e sobranceira", e de estar a "hipotecar a qualidade das políticas públicas".

"Nós estaremos na primeira linha na denúncia desta atitude política arrogante e sobranceira que, em nome do dinheiro público, em nome do Estado, no fundo, o que está a hipotecar é a qualidade das políticas públicas e a possibilidade de cada um escolher o que é melhor para si próprio", avisou.

Pedro Passos Coelho vincou por várias vezes, ao longo do seu discurso, que o PSD está "disponível" para todos os portugueses, "independentemente da sua orientação programática ou ideológica".

"Contarão sempre connosco. Não somos daqueles que amuamos nem fazemos fitinhas. Vi disso durante quatro anos, muitas vezes, no plano político e parlamentar. Nós nunca amuámos quando tivemos a responsabilidade de governar e hoje, que não temos, estamos ao serviço dos portugueses, estamos ao serviço de Portugal", disse o também ex-primeiro-ministro.

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