A apagar todos os fogos... mesmo os que arderam sem se ver

A tragédia dos incêndios marcou o segundo ano de mandato do Presidente. Marcelo tentou gerir as emoções do país.

O Presidente da República quis retratar em livro, e através das imagens de fotojornalistas, episódios marcantes deste segundo ano em Belém, que celebra hoje e o modo como se empenhou na vida do país. Mas nas fotografias que escolheu faltarão sempre alguns momentos cruciais do seu mandato.

Os momentos mais marcantes deste segundo ano são inquestionavelmente aqueles que estiveram ligados aos incêndios de Pedrógão, em junho, e aos de outubro. Marcelo Rebelo de Sousa esteve sempre ao lado das populações, numa partilha do sofrimento e de conforto, que faltou numa primeira fase ao governo. O Presidente funcionou mesmo como uma espécie de bombeiro que apagou aqui e ali os focos de descontentamento contra o executivo, num verão demasiado quente e com consequências trágicas. A demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, precedida de uma declaração ao país muito dura, foi também a consequência de tudo isto.

Mas os fogos a que Marcelo ocorreu não foram só aqueles a que o país assistiu atónito, foram também os que arderam sem se ver. Como o da tensão entre Portugal e Angola motivado pelo processo do ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente. Discretamente, escreveram os jornais, fez diplomacia, jogou influência. Em Angola, já em fevereiro deste ano, garantiu: "Portugal e Angola estão condenados a ficar juntos para sempre."

A coabitação com o governo foi menos afetuosa neste segundo ano, sobretudo pelas circunstâncias trágicas. Relações que ficaram também beliscadas por toda a trapalhada da nomeação de António Domingues para a Caixa Geral de Depósitos. A polémica arrastou-se durante meses e Marcelo endureceu o tom com Mário Centeno. O ministro das Finanças a quem não se inibiu, no entanto, de elogiar pelos bons resultados económico-financeiros do país.

Desde o chapéu partilhado em Paris com o primeiro-ministro, em junho de 2016, ainda no primeiro ano de mandato, Marcelo andou menos colado a António Costa. Embora tenha garantido que os incêndios não chamuscaram a relação institucional, e até pessoal, entre Belém e São Bento.

O Presidente dos "afetos" manteve-se fiel a si próprio. Andou por todos os cantos do país a dar apoio a quem precisava e fez do problema dos sem-abrigo uma das suas bandeiras. Andou nas ruas que lhes servem de teto a pedir resposta para os que nada têm.

Em todos os sítios por onde passou - incluindo as viagens ao estrangeiro, e foram umas quantas, em particular nos países africanos de expressão portuguesa - Marcelo foi quase uma pop star. A quantidade de selfies que lhe pediram para tirar é a prova da sua popularidade inigualável na Presidência da República.

Marcelo pouco fala da sua vida privada, mas percebe-se que foi afetada mesmo nos hábitos quotidianos. Os banhos no mar foram esporádicos, como o mergulho que deu em Luanda. A recente operação a uma hérnia obrigou-o a abrandar o ritmo e impediu-o de, pela primeira vez, um Presidente celebrar a passagem do Ano com as vítimas dos incêndios.

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