829 mortes relacionadas com álcool, 44 por overdose

Mais de 11 mil utentes receberam tratamento por problemas relacionados com consumo de bebidas alcoólicas

Em 2014 registaram-se 829 mortes relacionadas com álcool, das quais 44 por overdose. Um valor mais alto do que as overdoses por consumo de drogas, que no mesmo ano chegaram às 33. Segundo o relatório "A Situação do País em Matéria de Álcool 2014", elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), nesse ano os serviços públicos deram tratamento a mais de 11 mil utentes por problemas relacionados com o consumo de álcool.

"Dos 829 óbitos positivos para o álcool e com informação sobre a causa de morte, cerca de 33% foram atribuídos a acidente (incluindo os de viação), 31% a morte natural, 18% a suicídio e 5% a intoxicação alcoólica. Cerca de metade (46%) dos 44 óbitos atribuídos a intoxicação alcoólica apresentaram resultados positivos só para o álcool e em 45% dos casos foram detetados só álcool e medicamentos, em particular benzodiazepinas. Das 140 vítimas mortais de acidentes de viação que estavam sob a influência do álcool, cerca de 72% eram condutores, 21% peões e 7% passageiros", diz o relatório, apresentado hoje, que salienta a redução do número de vítimas mortais de acidentes de viação sob influência do álcool.

Pelo segundo ano consecutivo, aumentaram os internamentos por problemas relacionados com o uso de álcool em Unidades de Alcoologia e Unidades de Desabituação. Em 2014 estiveram em tratamento no ambulatório da rede pública 11 881 utentes. Dos que iniciaram tratamento nesse ano, 930 eram utentes readmitidos e 3 353 novos utentes. "Nos últimos anos há uma tendência de acréscimo no número de utentes em tratamento, registando-se nos últimos três anos os valores mais elevados de novos utentes e de readmitidos. Em 2014, nas redes pública e licenciada registaram-se 1 472 internamentos por problemas relacionados com o uso de álcool em Unidades de Alcoologia e Unidades de Desabituação, e 2 256 em Comunidades Terapêuticas".

Quanto a internamentos nos hospitais, registaram-se 5 768, "na maioria relacionados com doença alcoólica do fígado (67%) - com destaque para a cirrose alcoólica (53%) - e o síndrome de dependência alcoólica (20%)", refere o relatório. "Constata-se nos últimos três anos uma diminuição no número destes internamentos, representando em 2014 um decréscimo de -7% face a 2013 e de -17% em relação a 2012. No entanto, se se considerar para além do diagnóstico principal também os secundários, o número de internamentos atribuíveis ao consumo de álcool é bastante superior - 34 272 internamentos em 2014 -, e têm vindo a aumentar ao longo dos últimos anos (+1,4% entre 2013 e 2014)", acrescenta o documento.

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