12 colégios excluídos pelo ministério estão no top 100 do ranking

Duas escolas de Coimbra entre as 10 melhores. Antiga diretora da secundária Infanta D. Maria diz que pais são de classe alta

Quase um terço - 12 - dos 39 colégios com contrato de associação que perdem o financiamento para turmas de início de ciclo (5.º, 7.º e 10.º ano de escolaridade) figuraram entre as melhores 100 escolas do país no ranking do secundário elaborado pelo DN em 2015, com base nos resultados dos exames nacionais. A comparação permite ainda confirmar, por outro lado, que outros colégios financiados também ocuparam as posições mais baixas da tabela ao nível do desempenho dos seus alunos nas provas externas.

Em Coimbra - precisamente o distrito mais visado pelos cortes no financiamento do Ministério da Educação, por ser aquele onde existem mais redundâncias entre a rede pública e a privada com contrato - encontram-se estas duas situações. No centro da cidade, o Colégio Rainha Santa Isabel ocupa o 5.º lugar, a nível nacional, no ranking do secundário do DN. O Colégio de São Teotónio, na mesma cidade, ficou em 10.º lugar.

Veja as posições de privados e públicos no ranking

Para Rosário Gama, antiga diretora da Secundária Infanta D. Maria, frequente líder entre as escolas públicas, o registo destes colégios tem motivos bastante evidentes. E que não suportam propriamente o argumento de que devem continuar a ser subsidiados.

"O Colégio Rainha Santa é frequentadas por alunos da classe média alta e alta da cidade", afirma. "Não pagam a frequência mas os pais têm dinheiro para lhes pagar as explicações a várias disciplinas", descreve, considerando ser "fácil" de constatar que aquela é "uma escola de pais com poder económico. É só estar à porta e ver os carros que lá chegam".

Também em Coimbra, mas numa zona menos central, encontra-se o exemplo oposto. O Instituto Educativo de Lordemão figurou em 589.º lugar nos rankings do secundário de 2015. Quase na cauda da tabela. "Abrange uma zona mais carenciada, com bairros mais periféricos", explica Rosário Gama.

E é neste exemplo que é possível encontrar um ponto de encontro entre o ponto de vista desta antiga diretora de escola estatal, atual dirigente da associação de reformados Apre! - que hoje mesmo marcará presença numa concentração pela Escola Pública em Coimbra - e o diretor executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo, Rodrigo Queirós e Melo. "Esse colégio tem muito mais alunos com necessidades educativas especiais do que outros exemplos, quer no público quer no privado", diz. Refira-se que, ao nível dos rankings do 9.º ano, o desempenho destes 39 colégios é bastante mais fraco, com mais de metade a não chegar à média positiva de 3 valores em 5.

"Critério da qualidade"

Por outro lado, Rodrigo Queirós e Melo recusa a ideia de que os bons desempenhos de doze dos colégios que perderão turmas iniciais se justificam por uma preferência das classes altas por estas ofertas, face à rede pública: "os agrupamentos em bairros ricos têm alunos ricos e os agrupamentos em bairros pobres têm alunos pobres. Mas isso é válido tanto no público como nos colégios com contrato", diz. "O próprio sistema [de acesso, que favorece a residência], que é igual em ambos os casos, é segregador".

O diretor executivo da AEEP considera que, embora o desempenho dos colégios nos rankings seja "apenas um indicador, existindo outros, como o Infoescolas", acaba por legitimar a inclusão no estatuto do particular e cooperativo de critérios de "qualidade e saudável concorrência: Retirar estes colégios do sistema afetará o sistema como um todo, porque o puxam para cima", defende.

As públicas que bateram os colégios concorrentes

Para além de analisar o desempenho nos rankings dos 39 colégios que deixarão de ter turmas de início de ciclo (5., 7.º e 10.º ano de escolaridade) apoiadas pelo Estado, o DN também comparou esses desempenhos com os das escolas públicas concorrentes mais próximas. E na maioria das ocasiões confirmou-se que a oferta dos privados conseguiu que os alunos tivessem melhor desempenho nos exames nacionais do 9.º ano e do ensino secundário do ano passado. Mas também houve exceções - 19, para ser mais preciso.

No ensino secundário, as públicas conseguiram bater a concorrente privada em nove ocasiões. Com a Secundária D. Dinis a merecer uma referência especial, ao ter conseguido, com o seu 359.º lugar do ranking, fazer melhor do que tanto o Instituto Educativo de Souselas (413.º) como o Instituto Educativo de Lordemão (589.º).

Nos rankings do 9.º ano - em que mais de metade dos 39 colégios não conseguiram atingir a média de 3 valores em cinco - , as escolas públicas conseguiram superiorizar-se às suas concorrentes privadas em dez ocasiões.

Por vezes, com diferenças consideráveis. A escola básica Rosa Ramalho superou amplamente o Colégio La Salle nos rankings do 9.º ano, figurando em 106.º lugar, mais de duzentas posições à frente. E a escola doutor Jaime Magalhães Lima (259.ª) registou uma distância ainda maior para o seu concorrente privado mais direto , o colégio Dom José I (678.º).

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