Portugal tem um bom desempenho em áreas como as energias renováveis, emissões de gases com efeito de estufa e qualidade do ar, mas precisa melhorar na valorização de resíduos e economia circular..Os dados constam da quarta revisão de desempenho ambiental de Portugal hoje divulgada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), na qual a organização de 38 países deixa 26 recomendações, que "visam ajudar Portugal a reforçar a coerência das políticas para impulsionar uma recuperação económica ecológica" e progredir na neutralidade carbónica e desenvolvimento sustentável..Tal como as revisões de desempenho em 1993, 2001 e 2011, a quarta revisão analisa o desempenho ambiental de Portugal, neste caso respeitante à última década. Os dois países examinadores foram a Costa Rica e o Luxemburgo..Entre os principais indicadores ambientais, referentes a 2021, destaca-se pela positiva a percentagem de energias renováveis no aprovisionamento energético total, 29%, com a média da OCDE nos 12%, ou a intensidade de emissões de gases com efeito de estufa "per capita", que é de 5,6 toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, quando a média da OCDE está nas 10,5 toneladas..Na exposição média da população a partículas finas (PM2.5), um dos principais poluentes atmosféricos, Portugal também está melhor posicionado, como também está ligeiramente melhor nos resíduos municipais per capita..Já na valorização de materiais de resíduos urbanos, a percentagem de compostagem e reciclagem no tratamento total é em Portugal de 28%, quando a média na OCDE é de 34%, uma média também superior a Portugal na área da economia circular.."Portugal regista um atraso relativamente à economia circular", pode ler-se no documento, que acrescenta que "a geração de resíduos urbanos cresceu a um ritmo mais rápido do que a economia. Em 2020, Portugal gerou mais resíduos urbanos "per capita" do que a média europeia. Foi também um dos países com as taxas mais elevadas de deposição em aterro". E para 2020 o país "não cumpriu a maior parte das suas metas de resíduos"..Se no tratamento de águas residuais urbanas Portugal está bastante acima da média da União Europeia (92% para 76%), a OCDE alerta no documento, em relação à água, que as captações agrícolas, a principal fonte de captações de água doce, aumentaram cerca de 25% desde meados da década de 2010..E alerta também que o estado dos 'habitats' e das espécies se deteriorou..Nas despesas de proteção do ambiente Portugal reserva 0,7% do PIB, com a média da União Europeia a ser de 0,9% e a da OCDE a ficar-se pelos 0,5%..Mas a OCDE "ganha" no orçamento de investigação e desenvolvimento na área ambiental e energética, 6,4% da despesa pública de investigação e desenvolvimento, quando em Portugal se chega apenas a 4,3%.."Portugal tem feito progressos no tratamento de águas residuais e expandido áreas protegidas. No entanto, são necessários esforços para gerir melhor a água e os resíduos e inverter a deterioração dos habitats e das espécies", refere o documento..Salientando o "bom desempenho" na redução das emissões de gases com efeito de estufa" (GEE), e os "progressos louváveis" no desenvolvimento das energias renováveis e na eliminação progressiva do carvão em 2021, a OCDE acrescenta que é preciso o país "aproveitar o potencial de descarbonização de todos os setores para alcançar a neutralidade carbónica até 2050"..O relatório salienta as ameaças decorrentes das alterações climáticas, como por exemplo as secas e aconselha a que seja feito mais para "melhorar o conhecimento e acompanhar os progressos das políticas de adaptação, e aumentar o valor das zonas rurais para a mitigação das alterações climáticas e a adaptação às mesmas".