Porto invadido por 'lockers' para preencher lacuna no setor do alojamento local

O negócio dos 'lockers', cacifos para guardar bagagens, floresce no Porto para colmatar uma lacuna no mercado do alojamento local.
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O negócio dos 'lockers', cacifos para guardar bagagens, floresce no Porto para colmatar uma lacuna no mercado do alojamento local, invadindo cafés, lojas de 'design' ou de aluguer de bicicletas e 'scooters' ou estações de metro e comboios.

Um cartaz colocado à entrada do café Nata Lisboa, na Rua de Santa Catarina, onde se lê 'The Luggage Storage' chama a atenção debaixo de uma imagem publicitária de um pastel de nata com mais de um metro de altura.

Um pouco mais acima, na Rua da Alegria, o anúncio para guardar bagagens 'The Luggage Storage' repete-se, mas desta vez com o cartaz colocado à entrada de uma loja de aluguer de 'scooters'.

A Lusa identificou que existem, pelo menos, 12 pontos de 'lockers', com cacifos e seus congéneres, como por exemplo espaços e zonas destinadas a depositar bagagens com códigos eletrónicos ou cintas. Os 'lockers' estão espalhados entre a Rua Formosa, Rua das Flores, Rua das Taipas, Ribeira do Porto, Rua Mouzinho da Silveira, junto aos Clérigos ou na Casa da Música.

Na estação do Metro da Trindade e nas estações de comboio de São Bento e de Campanhã e na loja de turismo 'Porto Welcome Center' também há 'lockers', um novo negócio que se pode comparar de forma um pouco forçada a uma espécie de parque de estacionamento para malas, mas com garantias de segurança.

"Era uma lacuna. Uma falha na cidade que comecei a detetar em abril de 2016. A minha epifania foi lembrar-me de fazer parcerias com lojas de 'core business' diferentes e criar soluções para armazenar as malas em segurança", conta Paula Azevedo, mentora da marca 'The Luggage Storage', cujos preços diários para as bagagens variam entre os 3,5 euros por três horas e os sete euros por dia.

Da falha de oferta na cidade até à criação de uma solução para as malas e 'trolleys' dos turistas foi um trajeto rápido. Paula Azevedo, com doutoramento em Estratégia em Marketing, criou a marca 'Luggage Storage' e desenvolveu um conceito que cruza negócios diferentes, obtendo sinergias e dispensando investimentos elevados.

Contratos firmados, onde 50% do lucro fica para o retalhista que colabora na parceria e os outros 50% para 'The Luggage Storage', a marca portuguesa tem, pelo menos, sete pontos na cidade do Porto, em cafetarias, serviços associados a turistas como as 'rent' de' scooters' e lojas de 'design'. Todos os espaços para armazenar as malas foram estrategicamente localizados perto de estações de metro, acrescenta Paula Azevedo, referindo que a maioria dos clientes são estrangeiros.

A marca tem no total 25 pontos espalhados pelo país - Évora, Lagos, Tavira, Portimão, Faro, Sintra, Estoril, Albufeira, Braga, Porto, Guimarães e Coimbra - e estima abrir até ao final do ano mais 10 pontos, adiantou Paula Azevedo.

A 'The Biggest Cloakroom' arrancou no Porto em dezembro de 2016, tem sede na Rua das Taipas e oferece cacifos para guardar malas, mas também serviço diferenciado de receção e informação aos turistas e um serviço de transporte dentro da cidade e para o aeroporto, em parceria com a Cabify, empresa multinacional de rede de transporte, descreve Marina Torres, diretora de marketing da 'The Biggest Cloackroom'.

Oferece espaços para malas tamanho S (pequeno), M (médio) e L (grande) com preços a variar entre os três euros por três horas e os nove euros para o dia inteiro com mala tamanho L.

A ideia surgiu, segundo conta Marina Torres, durante uma viagem ao estrangeiro com a irmã, e onde usaram o conceito de guardar bagagens em cacifos.

"Depois de uma busca no Porto, descobrimos que não existia este conceito, com o diferencial de receção ao turista", conta Marina, explicando que o volume de negócios cresce de mês para mês e que já alargaram o conceito à cidade de Aveiro e a eventos da cidade do Porto, como o festival de música Primavera Sound.

"Queremos ser loja itinerante em eventos, porque cada vez mais há preocupação com a segurança", desvendou Marina Torres.

A explosão de 'lockers' no Porto continua, agora, pela Rua Formosa com a 'Good Lock', outra marca onde se podem alugar bicicletas e deixar as malas em cacifos com códigos de segurança.

A 'Good Lock' abriu em abril passado, com 34 cacifos guarnecidos com bloqueio eletrónico e que funcionam com código pessoal. Está aberta das 9 às 20 horas com preços que variam entre os seis euros e os 10 euros por dia. O espaço tem ainda o serviço de vestiário e lavatório com água quente para os clientes.

Segundo Rita Martel, uma das três sócias do Good Lock, localizada bem perto do Mercado do Bolhão, o negócio tem sido "muito rentável" com taxas de ocupação diária na ordem dos 40%, e com "lotação esgotada na última quinzena de julho".

"A ideia de abrir o negócio dos cacifos apareceu durante uma viagem que fez com amigos a Barcelona (Espanha), em que sentiram necessidade de guardar as bagagens para aproveitar o tempo antes de apanhar o avião.

"Trouxemos a ideia para Portugal", conta Rita Martel, 23 anos de idade, da área profissional do Desporto e que partilha o negócio com mais duas sócias.

Dados do turismo do Porto e Norte de Portugal, referem que os cacifos instalados há cerca de um ano na 'Porto Welcome Center' têm registado "um movimento elevado de aluguer", que por vezes estão 50% ocupados, designadamente aos fins de semana.

A altura de maior pico de procura de 'lockers' é à hora de almoço, dizem alguns operadores do setor, explicando que é uma hora a que ou os turistas têm de fazer o 'check out' nos apartamentos turísticos ou ainda não podem fazer o 'check in' no alojamento local (alojamento temporário para turistas), ou simplesmente o voo de avião permite aproveitar umas horas livres de malas para sentir o 'pulsar' do Porto de forma mais confortável.

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