António José Seguro na festa após a eleição.
António José Seguro na festa após a eleição.FOTO: Gerardo Santos

Voto inválido dispara nesta segunda volta e só não bateu o recorde de protesto contra a Troika

Com mais de 271 mil boletins sem escolha (brancos ou nulos), a rejeição aos dois candidatos só ficou atrás do máximo histórico registado em 2011.
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O encerramento das urnas na segunda volta das eleições presidenciais deste domingo (8 de fevereiro) revelou um dado sintomático do estado de espírito do eleitorado português: o número de votos inválidos (brancos e nulos) disparou significativamente em relação à primeira volta, consolidando assim uma expressão de rejeição que só não bateu o recorde fixado nos anos da mais recente intervenção financeira em Portugal.

Ao todo, foram 271.520 os eleitores que optaram por não escolher nem António José Seguro nem André Ventura. Este número representa 4,95% dos votos contados, uma subida de 79% face aos 151.646 votos inválidos registados a 18 de janeiro.

A explosão do voto em branco

O fenómeno mais marcante desta noite foi a subida do voto em branco. Se na primeira volta tinham sido contabilizados 62.415 votos brancos, este domingo esse número fixou-se nos 173.806, o que significa que quase triplicou (+178,5%). Números que sugerem que uma parte considerável do eleitorado que votou em candidatos derrotados na primeira volta preferiu deslocar-se às urnas para sinalizar que nenhuma das opções finais servia os seus ideais democráticos.

Somando a estes os 97.714 votos nulos, o país assistiu à maior manifestação de "não escolha" em quarenta anos de segundas voltas — em 1986, o total de inválidos não tinha chegado sequer a 1%.

À porta do recorde de 2011

Apesar da magnitude do número deste domingo, o recorde absoluto de votos inválidos na democracia portuguesa permanece na posse das presidenciais de 2011. Nesse ano, sob o peso da Troika e de uma enorme contestação social, registaram-se 291.954 votos brancos e nulos (6,51%).

Este resultado de 2026 só não bateu este teto histórico, confirmando que houve uma polarização entre António José Seguro e André Ventura e gerou-se uma "terceira via" de silêncio ruidoso. Foram cerca de 271 mil os portugueses que fizeram questão de votar, mas "lavaram as mãos" quanto ao desfecho.

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