André Ventura
André VenturaTIAGO PETINGA/LUSA

Ventura reserva "decisão final" sobre moção de censura ao Governo para depois de conversa com Seguro

Líder do Chega vai reunir com dirigentes e deputados do seu partido, mas reforça críticas a Luís Neves. "Se parece um gato, se anda como um gato, e se mia como um gato, então é um gato", disse.
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O líder do Chega, André Ventura, disse nesta segunda-feira que o seu partido anunciará amanhã a "decisão final" sobre a apresentação de uma moção de censura do Governo de Luís Montenegro. Antes disso, reunirá com a direção e com o grupo parlamentar, e terá uma conversa telefónica com o Presidente da República, António José Seguro.

Voltando a repetir que "as instituições não podem ficar reféns da teimosia de Luís Neves", Ventura apontou como "sinal positivo" o facto de o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária ter dito que se iria pronunciar sobre a moção de censura na terça-feira. Mas acrescentou que não acredita "numa resposta capaz" a todos os casos que envolvem Luís Neves.

"Se parece um gato, se anda como um gato, e se mia como um gato, então é um gato", disse o líder do Chega, voltando a referir "ligações ao tráfico" do titular da Administração Interna, na medida em que Neves utiliza um automóvel apreendido a um suspeito de tráfico de drogas e terá havido armas "que desaparecem da Polícia Judiciária e vão parar às mãos de traficantes".

Em sentido contrário, na opinião do líder do Chega, "está a gerar-se um grande consenso políticos entre os três principais partidos de que este problemas tem de ser resolvido", citando as declarações ao DN do dirigente socialista Álvaro Beleza como exemplo disso.

Caso venha a ser tomada a decisão de apresentar a moção de censura, Ventura negou que o facto de o Parlamento estar reduzido à Comissão Permanente constitua um impedimento. Nesse sentido, antecipou que a discussão dos argumentos do Chega para derrubar o Governo e a votação ocorressem já nesta quinta ou sexta-feira, encerrando o que descreveu como "um degradar das instituições".

De qualquer forma, o Chega insiste na comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, recusando adiar o seu arranque para depois da discussão do Orçamento do Estado para 2027. "O contecto que temos obriga a uma intervenção rápida e com autoridade por parte do Parlamento", disse, apontando o início da sessão legislativa como o momento para avançar de forma potestativa.

No início da sua intervenção, convocada para reagir ao discurso de Luís Montenegro no encerramento da Universidade de Verão do PSD, no final da manhã de domingo, que se cingiu ao tema da Educação, Ventura disse que as palavras de Luís Montenegro mostraram a "realidade paralela em que cada vez mais vivem o Governo e o PSD".

Acusando Montenegro de voltar a anunciar a Universidade de Bragança e o regime de autonomia das escolas, o lider do Chega rotulou de "constrangedor" que o primeiro-ministro tenha procurado "disfarçar a sua própria incompetência e ineficácia".

De igual modo, retomou as críticas à "vitimização" do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, que ameaçou processá-lo devido a declarações sobre a compra de três fragatas para a Marinha Portuguesa. "É mesmo parecido com o negócio dos submarinos", disse Ventura, garantindo que o governante "terá mesmo de responder" sobre as condições da aquisição desses navios.

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