O presidente do Chega avisou este domingo (28 de junho) que uma aproximação de PSD e CDS ao PS na reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade “tem consequências”, após questionado sobre se essa matéria pesará na votação do próximo Orçamento do Estado.André Ventura falava aos jornalistas na sede nacional do partido, em Lisboa, depois de votar nas eleições para a distrital do Chega na capital.Questionado sobre as palavras do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que considerou hoje que há um namoro entre a AD e o Chega, entre “beijos e amuos”, Ventura rejeitou a imagem e contrapôs que tem sido o PS a servir de “muleta do Governo”.André Ventura afirmou que foi o Chega quem impediu que a revisão da lei laboral passasse no Parlamento, criticou o PS por aprovar a criação da Prestação Social Única (PSU) e recordou que foram os socialistas a viabilizar todos os Orçamentos do Estado (OE) dos executivos da AD.“O que é mais curioso de tudo é que, ainda agora tivemos mais um exemplo durante a PSU, não foi o Chega que fez nenhuma troca de máscaras com o PSD, foi o Partido Socialista”, afirmou.Sobre a PSU, insistiu que a proposta permite atribuir apoios a imigrantes que “nunca contribuíram” para a Segurança Social e que pode obrigar pessoas com cancro, diabetes ou outras doenças crónicas a prestar trabalho social.O líder do Chega acusou Carneiro de descrever “o que gostava que o PS fosse” e não que aquilo que o seu partido é, argumentando que os socialistas gostariam de ter a atitude de “coragem, alternativa e verdadeiro reformismo” do Chega.Inquirido sobre se o Chega já está a pensar no próximo OE, Ventura frisou que ainda “há várias etapas antes”, apontando em particular para a votação, na próxima sexta-feira, da reapreciação do decreto para criar uma pena acessória de perda da nacionalidade no Código Penal, considerado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional (TC).“Há uma série de coisas antes do orçamento que ainda vão redefinir o espaço político. Mas que o Governo não tem governado bem, e isso também será avaliado no Orçamento do Estado, isso não”, sublinhou, apontando depois para o que considera ser um “país mais violento, mais agressivo, com menos segurança” do qual, acrescentou, “o Governo não quer saber”.Questionado se a votação dos partidos do Governo sobre a perda de nacionalidade pesará na relação do Chega com o executivo e na votação do Orçamento, Ventura deixou um aviso: “Se o PSD e o CDS-PP também mudarem nisso, significa que se estão a aproximar mais do Partido Socialista do que daquilo que é a visão do Chega e isso obviamente tem consequências”.O líder do Chega disse também que tudo o que for feito pelos partidos do Governo "será avaliado quando chegar o momento do Orçamento” e acusou o PSD de “não se distinguir em nada do PS”.“Portanto, como é que se pode pedir ao Chega que seja simplesmente suporte deste Governo? Eu acho que não é isso que os militantes querem, não é isso que os dirigentes querem”, enfatizou, acrescentando que “é muito difícil apoiar um Governo assim”.Em relação às eleições internas, que decorrem hoje em 11 distritais e numa estrutura regional do partido, Ventura disse que “são as mais disputadas e mais participadas” de sempre, sendo esperada a votação de “largos milhares de militantes".O presidente do Chega afirmou também que o partido “nunca pode ser muleta de nenhum Governo, nem servir apenas para levantar o braço e para baixar o braço”, acrescentando que espera que nas eleições das distritais vença a visão de ser “uma oposição a sério” para que o partido possa ser Governo “em breve”..Chega anuncia que vai pedir fiscalização da constitucionalidade da PSU.Eleições internas do Chega ameaçam incumbentes e paz entre os deputados