Telemóvel de Nuno Melo atacado: pedem-se respostas do Estado
A iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança (CpC) exigiu esta terça-feira esclarecimentos urgentes ao Governo após o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, ter sido alvo de um ataque informático no seu telemóvel pessoal, que permitiu o desvio de comunicações e o envio de mensagens fraudulentas em seu nome.
O caso ocorreu enquanto o governante se encontrava em Atenas e veio a público na segunda-feira, após contactos da sua lista, incluindo o assessor de imprensa que o acompanhava, terem recebido pedidos suspeitos de transferência de dinheiro através do WhatsApp.
Nuno Melo justificou o incidente com a obsolescência do aparelho, que já não suportava as atualizações de segurança do fabricante.
A justificação motivou fortes críticas do movimento cívico, que sublinha que “não está em causa a vida privada de um governante, mas a segurança das comunicações do Estado”.
Para a CpC, a liderança de um ministério com responsabilidades na NATO exige padrões de proteção reforçados, pelo que um titular da Defesa “não é um utilizador qualquer” e a exposição do seu telemóvel acarreta vulnerabilidades para a segurança nacional.
Entre as dúvidas levantadas, a organização questiona se o aparelho comprometido tinha uso exclusivamente pessoal ou governativo, por que motivo continuava ativo sem atualizações de segurança e se foi realizada uma perícia forense independente para aferir se ficheiros confidenciais foram intercetados.
Pede-se também a confirmação de que entidades como o Centro Nacional de Cibersegurança, o Gabinete Nacional de Segurança, os serviços de informações e os aliados internacionais foram notificados.
Perante a gravidade do episódio, a CpC recomenda a proibição do WhatsApp e de ferramentas comerciais análogas em matérias de Estado, a imposição de terminais geridos centralmente pela administração pública, formação contínua em higiene digital para governantes e gabinetes e a realização urgente de auditorias independentes às comunicações ministeriais.

