Filipe Santos Costa, membro do Secretariado Nacional do PS
Filipe Santos Costa, membro do Secretariado Nacional do PSReinaldo Rodrigues

TAP: PS considera precipitado PM assumir que poderá avançar sozinho com privatização total

Filipe Santos Costa defendeu que, “ao elogiar os termos em que conseguiu esta privatização parcial”, o Executivo está a “validar a posição do PS". PSD fala em fim da “confusão” e CDS diz que decisão prova que Governo faz reformas estruturais.
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O PS considerou precipitado que o primeiro-ministro assuma que terá “capacidade política” para avançar sozinho para a privatização total da TAP, defendendo que o montante conseguido na privatização parcial da empresa mostra que os socialistas “tinham razão”.

“Neste momento, o PS é a favor de uma privatização parcial, que foi hoje conseguida. O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial”, disse esta quarta-feira, 14 de outubro, o dirigente do PS Filipe Santos Costa, numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, sobre o anúncio feito horas antes pelo primeiro-ministro de que o Governo escolheu a Lufthansa para a privatização parcial da TAP.

Questionado sobre o facto de Luís Montenegro ter admitido a privatização total da TAP até 2028, Filipe Santos Costa sublinhou que “o Governo tem que dialogar na Assembleia da República” porque “é um Governo de minoria”.

“E, portanto, parece-me um pouco precipitado da parte do primeiro-ministro assumir que terá a capacidade política para avançar sozinho para uma privatização total da TAP”, avisou.

De acordo com o dirigente socialista, este foi o “culminar de um processo iniciado pelo PS”, considerando que o executivo “ao elogiar os termos em que conseguiu esta privatização parcial” está a “validar a posição do PS a e contrariar a posição anterior de muitas pessoas da AD e do Governo”.

PSD fala em fim da “confusão” e CDS diz que decisão prova que Governo faz reformas estruturais

O PSD considerou que os avanços na privatização parcial da TAP traduzem o fim da “confusão” na companhia aérea, enquanto o CDS-PP defendeu que decisão prova aos críticos do Governo que o executivo faz reformas estruturais.

O deputado do PSD Alexandre Poço afirmou que, com o atual executivo, “acabou o tempo em que a TAP era um brinquedo nas mãos de governos e de ministros” e considerou que a decisão anunciada pelo Governo “permite começar a recuperar o investimentos que os contribuintes portugueses fizeram” na companhia aérea.

“Por isso, este dia de hoje é um dia positivo para o país, para a economia e para a TAP”, considerou.

Para o social-democrata, o interesse que a TAP despertou na Lufthansa e na Air France-KLM são indicadores do “bom momento que a economia portuguesa vive e o momento positivo que o país atravessa”.

Insistindo que o “tempo da confusão na TAP acabou”, Alexandre Poço salientou que o negócio contempla a “preservação de rotas muito importantes para o povo português” e o “respeito pelos trabalhadores”, permitindo à companhia “crescer num grande grupo de aviação”.

“Um grande orgulho no caminho percorrido até aqui e uma alegria que, a partir de hoje, a TAP possa ter uma nova fase auspiciosa de um grande futuro à sua frente. Para a empresa, para os trabalhadores, para os seus fornecedores, para os seus clientes e para toda a economia portuguesa”, sublinhou.

Por sua vez, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, dirigiu as suas críticas, sem nomear ninguém, “àqueles que acusam o Governo de governar apenas para o dia a dia e não fazer reformas estruturais”.

“Esta decisão é uma decisão estruturante que prova que o Governo governa a pensar no futuro do país”, disse.

O centrista considerou também que hoje é um bom dia para o país e para o Governo, que, acrescentou, “cumpre o seu programa e organizou um processo absolutamente transparente e competitivo para concretizar a primeira fase da reprivatização da TAP”.

“É desde logo também um bom dia para a TAP, que mantém a sua sede e a sua marca em Portugal e que fica, desde hoje, associada ao maior grupo de aviação europeu, o que abre portas para a capitalização e para o desenvolvimento da atividade futura”, sublinhou.

O líder da bancada centrista afirmou também que esta operação é “boa para os contribuintes portugueses” depois de os executivos socialistas, disse, “terem enterrado de forma absolutamente irresponsável 3,2 mil milhões de euros na companhia”.

O Governo selecionou esta quarta-feira a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.

Na mesma conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu a privatização total da TAP até 2028, trocando uma parte do capital da companhia aérea por participação social na Lufthansa com o objetivo de recuperar o valor total investido pelos portugueses.

Filipe Santos Costa, membro do Secretariado Nacional do PS
Privatização da TAP. O que a Lufthansa prometeu ao Governo?

A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.

Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.

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