O Presidente da República, António José Seguro, aproveitou o arranque das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, na ilha Terceira, para arrefecer o debate político em torno da Base das Lajes. Confrontado com a recente abertura do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para rever o acordo com os Estados Unidos, Seguro foi perentório ao afirmar que "não é este o momento" para abordar a matéria.Em declarações aos jornalistas após uma visita à residência da representante da República nos Açores, em Angra do Heroísmo, o chefe de Estado adotou uma postura de vincada cautela institucional. Seguro preferiu remeter o dossier estratégico da infraestrutura militar para o futuro, sublinhando que o foco atual deve estar na união e na celebração da soberania nacional."Nós estamos aqui para celebrar Portugal (...), teremos muito tempo para falar sobre essas matérias", vincou o Presidente, escusando-se a adiantar qualquer horizonte temporal para a discussão.Uma visão alargada para lá de WashingtonA escolha do arquipélago dos Açores para acolher o 10 de junho foi justificada pelo Presidente com o aniversário das autonomias regionais, que considera pilares fundamentais para a "coesão nacional" e para um "desenvolvimento equilibrado". Mas as declarações de Seguro ganharam uma leitura geopolítica quando o foco se estendeu à política externa.O Presidente defendeu que Portugal deve alargar o seu horizonte no continente americano, promovendo cooperações concretas com o Canadá e com o bloco do Mercosul, em vez de se fixar exclusivamente na relação com Washington. Em paralelo, reiterou o seu apoio à autonomia estratégica da Europa em matérias de segurança e defesa, classificando as vertentes europeia e atlântica como realidades perfeitamente complementares.Balanço de três meses de coabitação políticaA deslocação aos Açores coincide com a marca dos primeiros três meses de António José Seguro no Palácio de Belém. Questionado sobre o estado da relação com o Executivo — após ter declarado, na visita ao Luxemburgo que a Presidência e o Governo se "completam" —, o chefe de Estado fez um balanço assumidamente positivo da coabitação.Seguro garantiu que existe uma "boa articulação" com o primeiro-ministro, sustentada por reuniões de trabalho semanais. O Presidente da República fez questão de sublinhar que a estabilidade política continua a ser uma das suas grandes prioridades, assumindo a responsabilidade de criar condições para que o Governo possa executar o seu programa."Vim para equilibrar o sistema político", disse Seguro, declarando-se "feliz" com os resultados alcançados neste primeiro trimestre de mandato..Fátima Amorim: “Vemos a importância geoestratégica da Base das Lajes neste cenário que vivemos”