O Presidente da República pediu ontem uma resolução rápida dos problemas que têm sido identificados na classificação dos exames nacionais e garantiu que a confiança no sistema de avaliação deve permanecer intacta. António José Seguro garantiu estar a acompanhar o caso e prometeu discutir o assunto com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ainda esta semana. Sobre o futuro do ministro da Educação, o chefe de Estado recusou fazer qualquer comentário.“O desejo do Presidente é que rapidamente tudo volte à normalidade e, sobretudo, que a relação de confiança entre os alunos e as suas famílias e o sistema de avaliação se mantenha intacta”, declarou, no final da inauguração da nova sede do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC), em Lisboa.Questionado sobre se o ministro da Educação, Fernando Alexandre, tem condições para continuar em funções, Seguro optou por uma resposta lacónica: “Não respondo a essas questões.” O Presidente insistiu que o essencial é garantir que o processo de avaliação decorra sem prejuízo para os alunos, frisando que o problema deve ser resolvido “o mais rapidamente possível”.O chefe de Estado, porém, garantiu estar ciente de que há professores que ainda não tiveram acesso às provas e alunos que aguardam notas que deveriam já ter sido divulgadas. “Que os professores possam corrigir e classificar, que os alunos recebam as notas, e que a relação de confiança continue intacta”, apelou.Questionado sobre eventuais mecanismos de compensação para famílias afetadas pela alteração do calendário dos exames, que obrigou muitos a reorganizar férias, António José Seguro remeteu o tema para a reunião com Luís Montenegro, garantindo que o assunto será abordado “esta semana”. E concluiu: “Há um problema, precisa de ser resolvido e, naturalmente, os alunos e as famílias não podem sair prejudicados.”“Estamos a trabalhar”O ministro da Educação, Fernando Alexandre, depois de um seminário no Parlamento sobre ensino profissional, recusou esta quarta-feira comentar o apelo do Presidente da República para que haja uma solução rápida para o problema dos exames nacionais, mas assegurou que está a “trabalhar”.“Estamos a resolver, estamos a resolver tudo. Estamos a trabalhar”, disse o ministro, elusivo, sem qualquer outro comentário sobre o tema.Um dia antes, o ministro admitiu algum tipo de compensação para quem demonstre que o atraso nas avaliações dos exames nacionais criou algum tipo de constrangimento. “Se houver alguma família que demonstre, de facto, que houve prejuízo, o Estado deve ressarcir a família. É um direito jurídico e é pelo respeito à lei”, acrescentou Fernando Alexandre.Ministro da Educação ouvido no ParlamentoO secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou ontem o ministro da Educação de não ter indicado qualquer data para a audição potestativa - e necessariamente obrigatória - requerida pelos comunistas, destinada a esclarecer as falhas verificadas nas últimas semanas na avaliação dos exames. Paulo Raimundo avisou que não aceitará adiamentos prolongados. “O ministro não está obrigado a vir numa data concreta, mas não permitiremos que adie para ‘a semana de 20, 24, 25, início de agosto, setembro’ explicações que têm que ser dadas agora”, assegurou.O líder comunista deixou claro que o partido está disposto a usar “todos os meios” que a bancada do PCP tem ao dispor. “Se não for pela porta, é pela janela”, afirmou, acrescentando que o PCP quer garantias de que “nenhum aluno será prejudicado” e que o ministro explique “em concreto o que está a fazer” para resolver o atraso na avaliação.Se Fernando Alexandre continuar sem indicar uma data para a audição, o PCP avançará com um debate de urgência já na próxima semana, porém, lembrou Paulo Raimundo, o pedido do Chega para um debate no dia 15 de julho foi recusado devido ao calendário, porque só há sessões plenárias para os dias 16 e 17. No entanto, o PCP proporá os dias 16 ou 17 de julho, sendo que o primeiro está reservado ao debate do Estado da Nação, restando o dia 17, que tem apenas votações previstas.Entretanto, também esta quarta-feira, na Comissão de Educação e Ciência, foi aprovado por unanimidade o requerimento do Livre para ouvir o ministro, ainda que a data possa ficar definida só para setembro.Fenprof pede demissão do ministroA Federação Nacional de Professores (Fenprof) acusou esta quarta-feira o ministro da Educação de “amadorismo” pela forma como conduziu o processo de avaliação dos exames nacionais do ensino secundário, que, apesar de serem escritos num formato físico, são avaliados em formato digital, o que tem gerado atrasos devido a falhas no sistema. “O ministro, perante o que tem acontecido, não tem condições para exercer a função de ministro da Educação”, declarou um dos secretários-gerais da Fenprof, Francisco Gonçalves, durante uma conferência de imprensa no Porto, referindo um processo “sem um plano de contingência”..Ministro da Educação vai ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre falhas na correção dos exames nacionais.Exames nacionais. Seguro diz que "há um problema e precisa de ser resolvido. Alunos e famílias não podem sair prejudicados".PCP admite debate de urgência sobre exames nacionais se ministro adiar audição na AR